Polícia atuou "com proporcionalidade" em acampada no Rossio, diz Moedas
O presidente da Câmara de Lisboa considerou hoje que a intervenção da polícia durante esta madrugada na acampada no Rossio foi realizada "com proporcionalidade", afirmando que a causa da habitação "é muito justa", mas sem atos de vandalismo.
"Quando eu vejo o vandalismo que foi feito, por exemplo, na estátua de Dom Pedro IV no Rossio, é um vandalismo de um património cultural que tem 150 anos e, portanto, isso não é manifestar, isso é vandalismo e isso não pode acontecer na cidade", afirmou Carlos Moedas (PSD), em declarações aos jornalistas à entrada para a reunião da Assembleia Municipal de Lisboa para o debate sobre o estado da cidade, que se realiza anualmente.
Perante esta situação no âmbito da acampada no Rossio, o autarca do PSD considerou que "a polícia atuou com correção, com proporcionalidade, fez aquilo que tinha a fazer", referindo-se à intervenção policial na madrugada de hoje, com a retirada de 228 tendas, e que culminou com a detenção de 55 pessoas.
Carlos Moedas reforçou que o direito à manifestação é consagrado pela Constituição da República Portuguesa e, por isso, "é um direito sagrado em Portugal", defendendo que o direito à habitação é uma causa "muito justa", mas frisando que os protestos têm de respeitar a lei e o espaço público.
"Eu, como presidente da câmara, vivo todos os dias a aflição de pessoas que não conseguem pagar a renda e que não têm casa e, portanto, sou o primeiro a dizer que esta causa é muito justa", declarou o social-democrata.
Em Lisboa, os protestos contra o aumento do custo de vida e a crise da habitação começaram no sábado, com uma acampada na praça do Rossio, que terminou esta madrugada com a intervenção policial, mas prevê-se nova concentração de manifestantes ainda hoje, a partir das 19:00.
Este será o quinto dia consecutivo de protestos em Lisboa.
"Nós continuamos aqui a respeitar as manifestações e a dizer sobretudo que nós, presidentes da câmara, e aqui falo não só como presidente da Câmara de Lisboa, mas como presidente do Conselho Metropolitano da Área Metropolitana de Lisboa, todos nós vivemos estas situações todos os dias. É connosco que as pessoas vêm ter quando não podem pagar a renda", expôs Carlos Moedas.
Reforçando que todos os cidadãos têm de respeitar a lei, o social-democrata disse que foi "com normalidade" que viu a atuação policial contra os manifestantes na Praça D. Pedro IV, advogando que "a polícia faz exatamente aquilo que tem que fazer".
"O direito à manifestação, ele é sagrado, as pessoas estão ali a manifestar-se e bem. Agora, não podem estar a vandalizar (…) uma estátua que tem 150 anos e não podem estar constantemente no espaço público que é de todos e, portanto, é normal que isso aconteça, mas com toda a compaixão, e com tudo aquilo que é a causa, que é habitação", frisou.
A este propósito, o autarca do PSD assegurou que a Câmara de Lisboa "está sempre disponível para receber todos" para discutir a crise da habitação, inclusive os responsáveis pela acampada no Rossio.
Carlos Moedas destacou ainda o trabalho da autarquia de Lisboa na área da habitação desde que tomou posse em outubro de 2021, referindo que a capital portuguesa está a recuperar de "10 anos perdidos", em que se construíram "17 casas por ano", numa alusão à governação socialista.
"Aquilo que nós estamos a fazer é mudar esse paradigma. Claro que não chega, porque foram 10 anos sem fazer nada, foram 10 anos de ideologia. A ideologia não dá casa a ninguém. Aliás, a ideologia durante 10 anos não deu mesmo casa a ninguém", criticou o social-democrata.
O autarca voltou a enumerar os dados nesta área, enaltecendo a entrega de 3.500 casas, sem precisar quantas destas são novas habitações e quantas resultam de troca de inquilinos em casas preexistentes, bem como o apoio de quase 2.000 famílias no pagamento da renda, referindo que existem 22.000 apartamentos municipais em Lisboa, onde vive "mais de 10% da população" da cidade.
"Lisboa tem feito muito pela habitação e, portanto, é isso que nós estamos a fazer", salientou, reiterando essa ideia na intervenção inicial no debate sobre o estado da cidade.
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