Populares encontram corpo de alegada vítima de insurgentes em Cabo Delgado
Populares da aldeia Nangunde, em Cabo Delgado, encontraram hoje restos mortais em estado avançado de deterioração, disseram hoje à Lusa fontes locais, admitindo tratar-se de uma vítima dos insurgentes que atuam no norte de Moçambique.
Os restos mortais foram encontrados esta manhã, entre um riacho e um campo de produção de tomate, na zona baixa de Muanga, distrito de Muidumbe, por um grupo de camponeses que tinha chegado ao terreno.
"Encontramos um corpo lá em Muanga, mas não sabemos quem era", disse uma fonte, em Muidumbe.
Os populares admitem que seja mais uma vítima dos grupos extremistas que assolam na região e que na semana passada mataram duas pessoas e raptaram outras duas: "Só podem terroristas, é uma região que dá medo circular porque ainda estão lá".
Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.
Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.
A conclusão consta do relatório "Moçambique: O custo da inação", divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado em setembro, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.
Segundo o documento, "nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025", incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.
Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.
"Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos", refere a ONU.
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