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Praça D. João I no Porto amanhece vazia e com um polícia na esquina

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Minuto Fonte Externa
25 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Praça D. João I no Porto amanhece vazia e com um polícia na esquina

A Praça D. João I, no Porto, amanheceu hoje vazia e com um polícia na esquina, após a intervenção policial que desmontou a acampada contra os custos da habitação e causou oito feridos, segundo dados da PSP.

 

Sem tendas, sem manifestantes, sem cartazes pendurados, sem nada, vazia. Numa das esquinas um polícia em vigia. É este o retrato da Praça D. João I pelas 07:00, após uma madrugada "agitada e violenta" que terminou com, oito detidos, entretanto já libertados e com números contraditórios quanto aos feridos.

Se a PSP reconheceu que a intervenção desta madrugada, pelas 02:00, causou oito feridos, a organização do movimento pela habitação no Porto apontou para a existência de 37 feridos, dos quais sete em estado grave.

"Foi feio, foi feio. Estava tudo pacífico, em clima de paz, mas a protestar, temos que protestar, e a polícia chegou e levou tudo à frente", descreveu à Lusa Toni, um "habitante da rua", que estava abrigado, com a tenda desmontada, na arcada de um prédio em frente aquela praça no centro do Porto.

O relógio batia as 02:02. Após algumas horas de tensão, a Unidade Especial de Polícia da PSP começou a desmobilizar os manifestantes na Praça D. João I, que recusaram desmontar as tendas.

"Ora bem, a polícia foi ali falar com eles [os manifestantes], eles disseram que não saíam e eu comecei a ver que isto ia dar molho. Fiquei aqui, eu já estou habituado a dormir na rua, também tenho a minha tenda, não abri para não ser confundido e ficar sem ela", explicou Toni.

Os oito detidos, levados para a esquadra do Heroísmo, foram libertos pelas 06:00 serão presentes a tribunal na segunda-feira, segundo confirmou o advogado do movimento que tem promovido os protestos, Tiago Machado.

Pelas 07:00, a tenda de Toni era, de facto, a única tenda armada naquela zona da cidade. Na esquina em frente, um agente da PSP saltitava de pé em pé, olhando para a praça, para Toni e para os carros que circulavam na zona.

"As carrinhas foram embora, mas vão passando aqui carros da PSP, estão à coca de alguma coisa", vaticinou Toni.

Pelas ruas que circundam a praça já não há vestígios da acampada, que chegou a ter mais de 50 tendas.

A decisão de voltar a montar as tendas foi tomada, mais uma vez, numa assembleia popular ao final da tarde de sábado, que reuniu centenas de pessoas.

Durante a tarde de sábado, milhares de pessoas marcharam da Praça da Batalha até à Praça D. João I, de forma pacifica e sem incidentes registados, contra os custos da habitação.

No final da marcha, permaneceram na praça, cantaram, gritaram palavras de ordem e prometeram que ninguém os cala: "Podem tentar silenciar-nos, mas nós vamos sempre voltar", avisaram.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de participantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa e a outras cidades do país, dias depois de a aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

"Solução não pode ser o Governo mandar a polícia bater nos manifestantes"

O vereador do PCP em Lisboa, João Ferreira, criticou hoje o Governo por não resolver a crise da habitação e alertou contra a repressão das manifestações.

Lusa | 13:10 - 25/10/2026

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