Presidente das Canárias quer ação da UE face aumento de imigrantes
O presidente do governo das Canárias, Fernando Clavijo, escreveu ao comissário europeu do Interior e da Migração, Magnus Brunner, a solicitar uma intervenção urgente perante o aumento das chegadas de imigrantes via Atlântico.
Para Clavijo, a situação na ilha de El Hierro exige "antecipação e coordenação", bem como a implicação da União Europeia, com um apoio efetivo a Espanha e aos dispositivos de acolhimento, "antes que a pressão supere os recursos das ilhas".
Mais de 340 pessoas foram hoje resgatadas pelas autoridades marítimas espanholas quando tentavam chegar de barco à ilha de El Hierro, nas Canárias, reforçando os alarmes dos serviços de assistência, que já somam quase 4.000 migrantes numa semana.
Com estes resgates, o número de migrantes irregulares que tentaram entrar em Espanha nos últimos seis dias atinge quase 4.000 pessoas, tendo sido usados não só os habituais pequenos barcos frágeis, conhecidos como 'cayunos', como até jangadas, apesar de a rota ser feita através do Atlântico.
Clavijo, que participa em Guadalupe na conferência de presidentes das nove regiões ultraperiféricas da UE, reclama que Bruxelas, em coordenação com o governo de Espanha, "avalie de imediato a situação, mobilize os mecanismos de solidariedade e apoio previstos na normativa europeia e convoque uma reunião urgente para decidir medidas concretas e um calendário de atuação".
Esta rota de migração, que parte de Marrocos e Saara Ocidental, no seu caminho mais curto, e da Mauritânia, Senegal, Gâmbia e Mali, nas travessias mais longas, é considerada uma das mais perigosas do mundo, com as travessias a poderem demorar vários dias ou mesmo semanas em mar aberto.
O Atlântico é conhecido pelas suas correntes violentas e há registos de embarcações encontradas meses depois do outro lado do mundo (como no Brasil ou nas Caraíbas) com todos os ocupantes mortos.
Apesar da diminuição de travessias em direção às Canárias nos últimos dois anos, a letalidade da rota aumentou por causa da abertura a trajetos mais longos e perigosos (como os que partem da Guiné-Conacri ou da Gâmbia).
O fluxo de embarcações na rota costuma intensificar-se no outono - um fenómeno conhecido localmente como "a crise dos 'cayunos'" - devido sobretudo a uma típica calmaria dos ventos na zona durante este período, o que deixa o mar mais fácil de navegar.
As redes de imigração ilegal e os próprios migrantes monitorizam de perto as previsões meteorológicas e os traficantes costumam aproveitar estas alturas para realizar saídas em massa simultâneas a fim de sobrecarregar os sistemas de vigilância costeira africanos e as equipas de salvamento espanholas.
Estimativas da ONU apontam que, em 2025, chegaram às ilhas espanholas 17.788 migrantes irregulares, a bordo de 263 embarcações.
As Nações Unidas documentam ainda a morte ou desaparecimento no mar de pelo menos 416 pessoas, enquanto a organização não-governamental (ONG) Caminando Fronteras aponta para 1.906 mortes nesta rota atlântica só em 2026.
O Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações (OIM) regista pelo menos 4.857 mortes e desaparecimentos oficiais entre 2014 e meados de 2024, mas a própria agência reconhece que o número real deverá ser substancialmente maior.
Leia Também: Novos resgates a migrantes nas Canárias fazem subir total para quase 4.000
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