Presidente de Timor-Leste defende Greater Sunrise
O Presidente José Ramos-Horta afirmou que concretizar o Greater Sunrise, campos de gás no Mar de Timor ainda por explorar, é um imperativo económico para criar emprego e salvaguardar o futuro financeiro de Timor-Leste.
"Com o encerramento comercial do nosso histórico campo de gás de Bayu-Undan no ano passado, a concretização do Greater Sunrise ultrapassou a ambição, sendo um imperativo económico", pode ler-se numa mensagem publicada, terça-feira, na rede social Facebook.
Segundo o Presidente timorense, que regressou hoje a Díli, após uma visita de trabalho à Austrália, o projeto é essencial para gerar emprego, estimular a economia nacional e salvaguardar o futuro financeiro.
"Mantenho absoluta confiança de que a Woodside continua firmemente comprometida em canalizar este recurso vital diretamente para a nossa costa sul, forjando um empreendimento mutuamente benéfico para Timor-Leste, para a Austrália e para todos os nossos parceiros", salientou o chefe de Estado.
A Woodside Energy é a empresa australiana que opera o desenvolvimento do Greater Sunrise.
Na mensagem, o chefe de Estado disse ter um "otimismo cauteloso".
"Com base em consultas estreitas com o primeiro-ministro Xanana Gusmão, estou confiante de que em breve assinaremos os acordos regulamentares fundamentais, com a Austrália e a Woodside Energy", afirmou o também prémio Nobel da Paz.
Timor-Leste, a Austrália e o consórcio que vai explorar o Greater Sunrise concluíram em setembro as negociações técnicas dos três principais documentos (Código Mineiro do Petróleo, o Contrato de Partilha de Produção e o Regime Fiscal) para o desenvolvimento do campo de gás, situado no Mar de Timor.
O Código Mineiro do Petróleo estabelece o enquadramento jurídico e regulatório para as atividades de exploração e desenvolvimento, o Contrato de Partilha de Produção regula as relações contratuais e o Regime Fiscal define o sistema de tributação e as obrigações fiscais.
Localizado no Mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e representa para os timorenses um grande potencial económico.
A exploração do campo tem estado envolta num impasse, com Díli a defender a construção de um gasoduto para o sul do país, onde está a desenvolver as infraestruturas necessárias para receber, processar e exportar o gás, e a Woodside a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin, no norte da Austrália.
O consórcio para exploração é constituído pela empresa estatal timorense Timor Gap (66,56%) e pela Woodside Energy (33,44%).
Os campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado.
O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin.
Timor-Leste prevê o início da produção para 2034.
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