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Renamo discute situação interna em Conselho Nacional em Maputo

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Minuto Fonte Externa
21 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Renamo discute situação interna em Conselho Nacional em Maputo

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reúne-se hoje em Conselho Nacional, em Maputo, para analisar a situação política nacional e interna do partido, num contexto de forte contestação à liderança de Ossufo Momade.

 

A terceira sessão do Conselho Nacional, órgão deliberativo da Renamo entre congressos, está prevista para iniciar às 08:00 (07:00 em Lisboa), prevendo-se cerca de 200 participantes, entre dirigentes e membros seniores da principal força da oposição moçambicana.

O encontro, subordinado ao lema "Renamo, Refletindo sobre a Democracia de Ontem, Hoje e Amanhã", decorre durante dois dias, num contexto em que a direção liderada por Ossufo Momade continua a ser alvo de forte contestação interna e pedidos de saída.

Numa nota divulgada na segunda-feira, a terceira força parlamentar moçambicana descreve a sessão como "um momento de reflexão sobre a história, os desafios do presente e o futuro do partido".

O partido não divulgou a agenda detalhada da sessão.

Em declarações recentes à Lusa, o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, afastou a possibilidade de Ossufo Momade abandonar a presidência do partido durante o Conselho Nacional, mas reiterou que o líder não será candidato à sua sucessão no próximo congresso, que não está agendado.

"No dia 04 [de outubro], o presidente disse e deixou claro que não vai se recandidatar no próximo congresso. Em momento nenhum o presidente falou de se retirar do Conselho Nacional. O Conselho Nacional é uma coisa, o Congresso é outra coisa", afirmou Macome.

"O Conselho Nacional é soberano, o Conselho Nacional é o órgão deliberativo em intervalo entre dois congressos. Neste momento, vamos para o Conselho Nacional e com os conselheiros vamos discutir a vida e a saúde do partido", declarou.

A realização do Conselho Nacional tem sido defendida pelos críticos internos de Ossufo Momade, incluindo o histórico dirigente e antigo deputado António Muchanga, que tem apelado publicamente à saída do líder da formação política.

O órgão chegou a estar convocado para março, mas acabou por não se realizar, sendo substituído por uma reunião de generais e oficiais superiores da Renamo em Chimoio, na província de Manica.

Nessa ocasião, a direção da Renamo garantiu que o Conselho Nacional seria realizado posteriormente, admitindo igualmente que Ossufo Momade poderia abandonar a liderança do partido antes do próximo congresso.

Há vários meses que antigos guerrilheiros exigem a demissão do líder da Renamo, acusando-o de má gestão do partido, falta de pagamento de pensões e subsídios e incapacidade para responder à atual crise interna.

Em 02 de outubro, representantes dos antigos combatentes exigiram participar no Conselho Nacional, advertindo que não darão "sossego" ao partido caso sejam excluídos do processo.

Em janeiro, Ossufo Momade, de 64 anos, reconheceu a existência de crises internas na história da Renamo, mas defendeu que o partido tem sabido ultrapassá-las.

Candidato presidencial apoiado pela Renamo nas eleições gerais de 2024, Ossufo Momade obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre para um candidato apoiado pelo partido, que perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição.

Leia Também: Renamo afasta saída de Ossufo Momade da liderança no Conselho Nacional

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