Protestos na Albânia: Rama acusa "mãos estrangeiras" de incitar violência
O primeiro-ministro albanês, o socialista Edi Rama, apelou hoje à calma, responsabilizando "mãos estrangeiras" pelos protestos violentos anti-governo dos últimos três dias e quando os manifestantes se reuniam novamente na capital e noutras cidades.
Desde terça-feira, manifestações violentas abalaram a capital, Tirana, com milhares de manifestantes a exigirem a demissão de Rama devido ao mau estado das universidades e às elevadas propinas, acusando-o também de corrupção.
Os protestos espalharam-se para várias outras cidades, com estudantes a juntarem-se a boicotes universitários, numa escalada significativa nos protestos anti-governamentais que já decorrem há vários meses.
"Irmãs e irmãos: paciência. Paciência porque isto também passará, paciência porque, depois de passar, saíremos como saímos de outras provações, mais fortes e mais conscientes do desafio comum que se avizinha", disse hoje Edi Rama, num discurso gravado em frente a mobiliário urbano destruído durante os protestos.
Rama disse que "ceder à violência para ter paz" seria um erro e significaria perder o rumo, e afirmou que o nível de violência nos protestos nada tem a ver com os estudantes, mas que esta "guerra cega" é responsabilidade da oposição conservadora.
O primeiro-ministro, que está no poder desde 2013 e que em maio de 2025 revalidou a sua posição ao vencer as eleições parlamentares com maioria absoluta, já tinha acusado na quinta-feira a oposição de estar por trás dos protestos.
O Partido Socialista afirmou que o objetivo seria interromper o bom funcionamento do processo de adesão à União Europeia.
"Não se esqueçam de que trouxemos a Albânia para aqui, trouxemos Tirana para aqui. E isto não foi trazido pelo tempo, nem pelas circunstâncias ou por acaso; isto foi trazido por um trabalho persistente para avançar", afirmou.
Sob a liderança de Rama, o país fez progressos na sua aspiração de aderir à UE, um objetivo que espera ver cumprido até 2030. Mas esses avanços não tiraram a Albânia do seu estatuto de um dos países mais pobres e corruptos da Europa.
Para o primeiro-ministro albanês, o protesto "absolutamente nada tem a ver com as dificuldades, problemas ou aspirações legítimas de quem quer uma vida melhor".
"Tudo isto é obra da mesma mão, a mão que agarrou a oposição albanesa pela garganta, a mão que queimou e destruiu a Albânia mais do que uma vez", acusou.
Responsabilizou "mãos estrangeiras", sem especificar, de incitar a agitação e de quererem dificultar a candidatura do seu país à adesão à União Europeia.
"Estas são mãos estrangeiras que não querem que a Albânia esteja em paz", comentou, no vídeo publicado na sua página do Facebook.
Na noite passada, os confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes, a maioria mascarados, prolongaram-se até tarde.
A entrada do Ministério das Finanças foi incendiada e as janelas de um complexo universitário foram partidas.
Segundo a polícia, 160 manifestantes foram detidos por cometer atos de violência na noite de quinta-feira.
A polícia informou na quinta-feira que, nos últimos três dias, 71 agentes ficaram feridos, pelo menos 71 manifestantes foram detidos e que foram tomadas medidas criminais contra outras 147 pessoas.
No Hospital de Traumatologia de Tirana, 40 pessoas, 26 polícias e 14 manifestantes foram atendidas na quinta-feira, segundo a emissora A2 CNN.
Os manifestantes amontoaram-se e incendiaram caixotes do lixo para bloquear ruas e atiraram pedras à polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água para os dispersar.
A agência de notícias francesa AFP também viu grupos mascarados a partir janelas e a saquear lojas.
Na manhã de hoje, centenas de manifestantes dirigiram-se para o Ministério da Educação, que continua a ser o epicentro dos protestos, relatou a AFP.
A meio da manhã, a capital parecia mais calma do que nos dias anteriores.
Houve também protestos noutras cidades, incluindo Elbasan, Korçe, Durres e Shkoder, onde um comandante da polícia se encontra em estado crítico após ter sido atingido na cabeça por uma pedra lançada pelos manifestantes.
Os estudantes denunciam a falta de recursos para a educação e acusam o governo de Rama de corrupção e arrogância.
Este protesto faz parte de um movimento cidadão mais amplo, que começou em maio passado contra os planos do governo para desenvolver um projeto de desenvolvimento urbano ligado a Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, num parque natural no sudeste do país.
Desde então, a chamada "Revolução dos Flamingos" - devido às aves que vivem neste ambiente natural - tem denunciado a corrupção, o aumento do custo de vida, problemas nos sistemas de saúde e educação e a arrogância e falta de responsabilização do primeiro-ministro, com protestos maioritariamente pacíficos.
Protestos anti-governo na Albânia deixam 71 polícias feridos e 71 detidosOs três dias de protestos violentos contra o Governo albanês deixaram 71 polícias feridos, incluindo um em estado crítico, e pelo menos 71 manifestantes detidos, anunciou a polícia do país balcânico.
Lusa | 19:47 - 15/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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