Renamo: Expulsão de Muchanga gera contestação interna e pressão
O grupo de dirigentes e antigos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que contesta a liderança de Ossufo Momade, prometeu hoje impugnar a expulsão de António Muchanga e garantiu que vai manter a pressão por mudanças no partido.
Em conferência de imprensa, o coordenador da Comissão de Gestão Nacional da Renamo, Edgar de Jesus, acusou a direção do partido de ter conduzido de forma "manipuladora" o processo que culminou com a expulsão de António Muchanga, figura histórica e uma das principais vozes da oposição interna à atual liderança.
"Queremos manifestar o nosso profundo desagrado à forma manipuladora como o presidente do partido e os seus acólitos organizaram a expulsão do doutor António Pedro Muchanga, membro e quadro sénior do partido, figura incontornável do mosaico político moçambicano", disse, em Maputo.
A expulsão foi decidida na quinta-feira pelo Conselho Nacional da Renamo, órgão deliberativo entre congressos, no âmbito de um processo disciplinar relacionado com alegadas violações dos estatutos do partido.
Segundo Edgar de Jesus, a expulsão não foi precedida de um debate efetivo no Conselho, contrariando aquilo que o grupo considera serem os procedimentos habituais da organização: "Convém esclarecer que, enquanto tema específico da agenda, não houve debate nenhum".
O dirigente acrescentou que vários conselheiros tentaram intervir durante a sessão, mas que os seus pedidos foram recusados pela mesa.
"Na tentativa de chamar a atenção ao presidente da mesa do Conselho Nacional sobre a necessidade de observar os procedimentos exigidos em abordagens similares, este, de forma ditatorial e arrogante, recusou-se a conceder a palavra aos conselheiros de notável prestígio dentro da nossa organização", acusou.
O grupo contestatário criticou igualmente a forma de votação utilizada para decidir a expulsão de Muchanga.
"Mesmo com este procedimento forçado de voto aberto, contrariando aquilo que caracteriza a democracia que defendemos, com base no princípio do voto secreto, os resultados confirmaram que o partido não está bem", afirmou.
Para os críticos da atual direção, o principal problema da Renamo continua a ser a permanência de Ossufo Momade na liderança.
"O nosso enfraquecimento é porque não temos uma mão forte que conduza o partido a bom termo", acrescentou, acusando a atual direção de impedir a renovação interna da formação política.
As declarações surgem dias após o Conselho Nacional da Renamo ter aprovado a expulsão de Muchanga, no âmbito de um processo disciplinar relacionado com alegadas violações dos estatutos do partido.
Na quinta-feira, o presidente da Renamo classificou a expulsão de António Muchanga como uma decisão "difícil e dolorosa", mas necessária para proteger a organização.
Após a decisão, o antigo deputado afirmou à Lusa que pretende recorrer aos tribunais para contestar a medida, considerando que viola a legislação moçambicana, e prometeu manter a contestação à liderança de Ossufo Momade.
A expulsão ocorre num contexto de crescente oposição interna à atual direção da Renamo, protagonizada por antigos guerrilheiros e dirigentes históricos que exigem a realização de um congresso para eleger uma nova liderança, depois de Momade ter anunciado que o próximo congresso do partido só terá lugar no segundo semestre de 2027.
Candidato presidencial apoiado pela Renamo nas eleições gerais de 2024, Ossufo Momade obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo partido, que perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição moçambicana.
Ex-guerrilheiros da Renamo pressionam por congresso em 2027Antigos guerrilheiros da Renamo acusam Ossufo Momade de manobras dilatórias para evitar o congresso previsto para 2027, prometendo manter a pressão para que o evento ocorra.
Lusa | 14:49 - 26/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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