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Renamo: Expulsão de Muchanga gera contestação interna e pressão

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Renamo: Expulsão de Muchanga gera contestação interna e pressão

O grupo de dirigentes e antigos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que contesta a liderança de Ossufo Momade, prometeu hoje impugnar a expulsão de António Muchanga e garantiu que vai manter a pressão por mudanças no partido.

 

Em conferência de imprensa, o coordenador da Comissão de Gestão Nacional da Renamo, Edgar de Jesus, acusou a direção do partido de ter conduzido de forma "manipuladora" o processo que culminou com a expulsão de António Muchanga, figura histórica e uma das principais vozes da oposição interna à atual liderança.

"Queremos manifestar o nosso profundo desagrado à forma manipuladora como o presidente do partido e os seus acólitos organizaram a expulsão do doutor António Pedro Muchanga, membro e quadro sénior do partido, figura incontornável do mosaico político moçambicano", disse, em Maputo.

A expulsão foi decidida na quinta-feira pelo Conselho Nacional da Renamo, órgão deliberativo entre congressos, no âmbito de um processo disciplinar relacionado com alegadas violações dos estatutos do partido.

Segundo Edgar de Jesus, a expulsão não foi precedida de um debate efetivo no Conselho, contrariando aquilo que o grupo considera serem os procedimentos habituais da organização: "Convém esclarecer que, enquanto tema específico da agenda, não houve debate nenhum".

O dirigente acrescentou que vários conselheiros tentaram intervir durante a sessão, mas que os seus pedidos foram recusados pela mesa.

"Na tentativa de chamar a atenção ao presidente da mesa do Conselho Nacional sobre a necessidade de observar os procedimentos exigidos em abordagens similares, este, de forma ditatorial e arrogante, recusou-se a conceder a palavra aos conselheiros de notável prestígio dentro da nossa organização", acusou.

O grupo contestatário criticou igualmente a forma de votação utilizada para decidir a expulsão de Muchanga.

"Mesmo com este procedimento forçado de voto aberto, contrariando aquilo que caracteriza a democracia que defendemos, com base no princípio do voto secreto, os resultados confirmaram que o partido não está bem", afirmou.

Para os críticos da atual direção, o principal problema da Renamo continua a ser a permanência de Ossufo Momade na liderança.

"O nosso enfraquecimento é porque não temos uma mão forte que conduza o partido a bom termo", acrescentou, acusando a atual direção de impedir a renovação interna da formação política.

As declarações surgem dias após o Conselho Nacional da Renamo ter aprovado a expulsão de Muchanga, no âmbito de um processo disciplinar relacionado com alegadas violações dos estatutos do partido.

Na quinta-feira, o presidente da Renamo classificou a expulsão de António Muchanga como uma decisão "difícil e dolorosa", mas necessária para proteger a organização.

Após a decisão, o antigo deputado afirmou à Lusa que pretende recorrer aos tribunais para contestar a medida, considerando que viola a legislação moçambicana, e prometeu manter a contestação à liderança de Ossufo Momade.

A expulsão ocorre num contexto de crescente oposição interna à atual direção da Renamo, protagonizada por antigos guerrilheiros e dirigentes históricos que exigem a realização de um congresso para eleger uma nova liderança, depois de Momade ter anunciado que o próximo congresso do partido só terá lugar no segundo semestre de 2027.

Candidato presidencial apoiado pela Renamo nas eleições gerais de 2024, Ossufo Momade obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo partido, que perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição moçambicana.

Ex-guerrilheiros da Renamo pressionam por congresso em 2027

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Lusa | 14:49 - 26/10/2026

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