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Rússia afasta ONU das negociações com a Ucrânia

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Rússia afasta ONU das negociações com a Ucrânia

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandr Alimov, afirmou hoje que a participação da ONU nas próximas negociações sobre a Ucrânia não está em cima da mesa, porque a organização não age em nome de todos os Estados-membros.

 

"A ONU deve atuar com um mandato dos Estados-membros, que representam as Nações Unidas. A ONU somos nós (os Estados-membros), e não a Secretaria", declarou o diplomata à agência Interfax.

Alimov acrescentou que quando a organização receber tal mandato e poderes, "será bem-vinda".

"Neste momento, essa questão não se coloca", esclareceu.

O Kremlin não descartou hoje que as cedências territoriais possam ser tema de negociação com a Ucrânia, mas não adiantou mais pormenores sobre o assunto.

"Todas estas questões, de uma forma ou de outra, podem ser tema de negociação durante uma tentativa de solução pacífica", comentou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, na sua conferência de imprensa telefónica diária.

Peskov acrescentou que, de qualquer forma, as conversações entre as duas partes no conflito será "séria" e incluirá "muitos pormenores", ao mesmo tempo argumentado que seria contraproducente falar deles publicamente.

Órgãos da comunicação social anglo-saxónica noticiaram recentemente que os Estados Unidos voltaram a propor a criação de uma zona económica livre desmilitarizada no Donbass (leste ucraniano), visando ultrapassar o principal obstáculo ao fim dos combates.

A retomada das negociações entre a Rússia e a Ucrânia, com a mediação dos Estados Unidos, é esperada em novembro.

O conselheiro do Kremlin Yuri Ushakov afirmou no passado fim de semana que o primeiro encontro entre as partes poderá realizar-se depois de 04 de novembro.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kyiv têm visado em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014, alvos militares, logísticos e petrolíferos utilizadas para sustentar a ofensiva russa.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

Os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para pôr termo à guerra prosseguem, mas até agora sem resultados, mais de quatro anos e meio depois do início da invasão russa em grande escala do país vizinho, mantendo-se as trocas de prisioneiros e de cadáveres de militares como uma das poucas áreas de cooperação entre Moscovo e Kyiv.

Leia Também: Rússia mantém operações militares apesar negociações trilaterais

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