Sánchez diz que dados provam política migratória responsável de Espanha
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse hoje que os dados mostram que Espanha tem uma "política responsável" de imigração, em resposta a críticas de líderes de outros países europeus.
"Uma coisa é o discurso, outra a realidade. E a realidade, os dados, o que demonstram é que Espanha tem uma política muito responsável na luta contra a imigração irregular, na gestão de fluxos de imigração regular e na cooperação com países de trânsito e origem", disse Sánchez, numa conferência de imprensa em Bruxelas, no final da reunião do Conselho Europeu que arrancou na quinta-feira e terminou hoje.
O líder do Governo espanhol deu como exemplo, entre outros, a diminuição em 72% este ano das entradas em Espanha (pelas ilhas Canárias) de migrantes de forma irregular, a partir da costa atlântica africana, enquanto no conjunto da Europa essa percentagem é de cerca de 30%.
Sánchez disse haver também dados sobre os repatriamentos e controlos em aeroportos que certificam que Espanha é um bom aluno nas políticas de imigração europeias e na aplicação do Pacto Europeu de Migração e Asilo, fechado durante a última presidência espanhola da União Europeia (UE) e em vigor em pleno "há escassos meses".
O pacto europeu "está a dar resultados" e a UE deve "continuar a trabalhar" para o desenvolver, defendeu ainda.
Pedro Sánchez acrescentou que além dos "factos e dos dados", pode haver discrepâncias de opinião em relação a algumas políticas, como reconheceu ter, por exemplo, com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que é crítica do processo de regularização extraordinária de imigrantes levada a cabo pelo Governo espanhol este ano.
A este propósito, defendeu que outros países europeus estão a aplicar, na prática, processos semelhantes, com a emissão de vistos de trabalho para estrangeiros.
Ainda sobre a questão da imigração, um dos temas na agenda deste Conselho Europeu, Sánchez voltou hoje, como já tinha dito na quinta-feira, a congratular-se com a solidariedade manifestada pelos outros estados-membros e a Comissão Europeia pelo ocorrido em Ceuta no final de julho, assim como com o compromisso das instituições europeias na solução da crise gerada na cidade, que é, com Melilla, outro território espanhol, a única fronteira terrestre europeia no continente africano.
Por outro lado, confirmou que acordou hoje com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, trabalhar numa solução para acabar com os controlos de passageiros que Espanha e Itália estão a fazer nos respetivos aeroportos.
Meloni e outros 18 líderes da UE comprometeram-se hoje a "manter um elevado nível de vigilância nas fronteiras externas" do bloco comunitário, após a crise migratória de Ceuta, originada com a entrada de mais de 70.000 pessoas nesta cidade espanhola no norte de África no final de julho.
A iniciativa insere-se num esforço de cooperação entre os Estados-membros que defendem o reforço dos mecanismos europeus de controlo migratório e a procura de soluções consideradas inovadoras para a gestão de tais fluxos.
À margem do segundo dia do Conselho Europeu, hoje em Bruxelas, Giorgia Meloni reuniu-se informalmente com os primeiros-ministros da Dinamarca e dos Países Baixos, Mette Frederiksen e Rob Jetten, respetivamente, num encontro que contou também com a participação da Comissão Europeia.
Além de Itália, Dinamarca e Países Baixos, estiveram representados a Áustria, a Bélgica, a Bulgária, Chipre, a Croácia, a Finlândia, a Alemanha, a Grécia, a Letónia, a Lituânia, Malta, a Polónia, a Eslováquia, a Eslovénia e a Suécia. Na reunião não esteve Espanha.
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