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Seguro e Montenegro quebram silêncio: Nenhum "gostou" do que viu, mas...

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 8 min de leitura
Seguro e Montenegro quebram silêncio: Nenhum "gostou" do que viu, mas...

Desde domingo, depois da intervenção policial nas manifestações pela habitação em Lisboa e no Porto, que várias figuras políticas, partidos e manifestantes reclamavam uma reação firme quer do primeiro-ministro quer do Presidente da República. Esta terça-feira, finalmente, ambos quebraram o silêncio.

 

Primeiro, o chefe de Estado, à margem de uma visita à Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA), em Lisboa. À tarde, o chefe de Governo, por força do primeiro dia do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2027, mas onde o tema da habitação dominou tanto parte do discurso inicial de Luís Montenegro como as perguntas de todos os partidos.

Ambos confessaram não ter gostado do que viram, numa referência às imagens da carga policial da noite de sábado para domingo nos protestos, mas, se Luís Montenegro elogiou o papel das forças de segurança, António José Seguro apelou a que se recorra ao "diálogo como solução para os problemas e nunca a violência".

Seguro ainda considerou que os jovens portugueses são "uma geração bloqueada" e que é urgente resolver os problemas de acesso a habitação assegurando a compra de casas ou o arrendamento para "todas as bolsas".

"Desde que tomei posse que tenho chamado a atenção para a necessidade de dar respostas a uma geração bloqueada, aos jovens, e de pessoas que têm dificuldades em ter acesso à habitação. Esta é uma urgência. Mas a urgência não é do discurso, é de soluções concretas", afirmou.

O que disse o Presidente da República?

O Presidente da República apelou ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

"A cultura portuguesa é uma cultura de diálogo. Não é uma cultura de violência, nem é uma cultura de confronto. Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa, no passado sábado", afirmou António José Seguro aos jornalistas, no fim da referida visita.

"Não gostei do que vi tal como, estou convencido, a maioria dos portugueses, porque não são imagens normais para uma democracia consolidada", considerou o chefe de Estado, que apelou a que se recorra ao "diálogo como solução para os problemas e nunca a violência".

Seguro e Montenegro reuniram-se na segunda-feira

Numa declaração aos jornalistas, antes de responder a perguntas, António José Seguro referiu que "desde as sete da manhã desse domingo" tem estado "sempre atento, preocupado, a recolher a informação, a exigir as informações" e que na segunda-feira se reuniu com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e "este foi um dos temas que foi falado".

"Esse é o papel do Presidente da República", defendeu.

Interrogado, a seguir, se estava a condenar a atuação da PSP, o chefe de Estado respondeu: "O que eu estou a dizer é que não gostei do que vi porque a violência não faz parte da cultura portuguesa. Quanto à atuação das autoridades, estão a decorrer inquéritos. Os inquéritos devem apurar se houve desvios ao Estado de direito ou não".

"O Presidente da República deve respeitar esses inquéritos. Deve pedir todas as explicações, deve exigir todas as explicações – foi aquilo que eu fiz – e, naturalmente, deve aguardar pelos resultados. Ninguém julga antes de saber quais são os factos", argumentou.

"Espero que seja rápido, que não sejam daqueles inquéritos que se eternizam", acrescentou.

António José Seguro, que foi alvo de apelos para se pronunciar sobre as cargas policiais sobre manifestantes, rejeitou a ideia de que se manteve alheado ou inativo perante estes acontecimentos.

"Tenho estado ativo, tenho estado vigilante e continuarei vigilante na garantia do Estado de direito democrático no nosso país", contrapôs.

"E quero deixar uma palavra muito clara aos portugueses, de tranquilidade e de serenidade. Eu serei um garante do Estado de direito democrático e de que os nossos problemas, os nossos confrontos, não se resolvem pela violência, mas se resolvem através do diálogo. Não abdicarei disso", assegurou.

Montenegro nega silêncio e diz que esteve "a trabalhar"

No mesmo sentido, também Luís Montenegro garantiu, esta terça-feira, que "andou a trabalhar" e recusou ter estado em silêncio perante as manifestações de protesto pela falta de acesso à habitação em Portugal, contrapondo que falou nos dois dias seguintes aos protestos de rua.

André Ventura foi o primeiro a questionar o chefe de Governo durante o debate sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano, no Parlamento, e a primeira pergunta que colocou foi: "Onde é que andou durante todo este tempo em que o país se debatia com manifestações em muitas da suas cidades, em que polícias eram agredidos, ofendidos e o Estado de Direito era ameaçado, e o país não sabia do seu primeiro-ministro?".

O líder do Chega acusou o primeiro-ministro de "desaparecer do mapa" nos últimos dias.

Luís Montenegro respondeu que esteve "a trabalhar" em prol do país e tem estado "estes dias todos, sem exceção, em contacto com os ministros e membros do Governo e com os serviços que são tutelados pelos membros do Governo".

"Há uns para quem trabalhar é dar entrevistas, há uns para quem trabalhar é responder a tudo o que é verdade, o que é mentira, o que é meia verdade, o que é meia mentira, há uns que consideram que o seu trabalho é estar sempre à frente das câmaras. E há outros que têm a responsabilidade de coordenar a ação do Governo, de definir, construir e executar as políticas públicas que resolvem os problemas das pessoas", defendeu, acusando André Ventura de pertencer ao primeiro grupo e colocando-se no segundo.

Quanto à política do Governo em matéria de habitação, o primeiro-ministro disse que o "caminho é aumentar a oferta por via do mercado de aquisição e por via do mercado de arrendamento e salvaguardar a procura, sobretudo daqueles que têm mais necessidade", a par de algumas medidas excecionais, como os apoios à compra de casa para jovens até aos 35 anos.

"Estamos a resolver o problema das pessoas e vamos continuar a resolver o problema das pessoas", salientou.

Primeiro-ministro "não gostou" das imagens, mas defende atuação da PSP

Luís Montenegro disse também que "não gostou do que viu" nas manifestações pela habitação, mas defendeu a atuação da PSP, depois de o Livre o ter acusado de "acicatar os ânimos".

O governante garantiu estar disponível para dialogar mas sem deixar de defender os seus ideiais, acusando o Livre de querer impor a sua visão.

"A senhora deputada instou-me a poder reconhecer que as cenas de agressão de cidadãos a forças da autoridade ou de incumprimento da lei ou, eventualmente, a resposta por parte das forças da autoridade não são imagens que nós gostemos de ver. Claro que não, eu também não gosto de ver", respondeu Montenegro a uma intervenção de Isabel Mendes Lopes.

"Daquilo que eu observei, as forças de segurança só intervieram mesmo em última, 'ultima ratio' [expressão latina para derradeiro recurso]".

Luís Montenegro considerou que "foi feito todo o esforço para que todos pudessem respeitar uns aos outros, para que todos aqueles que se quisessem e querem manifestar o possam fazer, mas que possam fazê-lo dentro daquilo que são as regras e no respeito pelos direitos dos demais".

"Continuaremos a olhar para estes acontecimentos com preocupação, a ouvir, naturalmente, as pretensões das pessoas, mas também a pedir-lhes que respeitem os direitos dos outros e que respeitem o trabalho das forças da autoridade que a exercem em nosso nome", concluiu.

"Quem cala, consente"? Como interpretar o silêncio de Montenegro?

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, tem-se mantido em silêncio relativamente às manifestações pela habitação, que acontecem já há mais de duas semanas. O episódio que ocorreu na madrugada de sábado tem gerado várias reações entre figuras do meio político e não só, incluindo com pedidos de reação - não só ao primeiro-ministro, como também ao Presidente da República.

Maria Gouveia | 18:00 - 26/10/2026

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