Solução para resíduos no Algarve "não terá impactos negativos"
A solução para o tratamento de resíduos no Algarve, que será escolhida após um estudo a concluir no espaço de 11 meses, não terá impactos negativos para a população, disse hoje a ministra do Ambiente e Energia.
"Há uma coisa que eu vos posso garantir: será sempre a solução que não tenha impactos negativos para a população que aqui vive e que aqui visita, isso posso garantir", afirmou Maria da Graça Carvalho, em Faro.
A governante falava aos jornalistas à margem da assinatura do contrato de colaboração para a realização do estudo "Soluções Técnicas para o Tratamento da Fração Resto na Região do Algarve", entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que decorreu na sede da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL).
O Algarve "é particularmente delicado" nesta matéria, porque tem uma produção de resíduos 'per capita' que é "quase o dobro do resto do país", número inflacionado pela pressão turística e pela população flutuante, considerou a ministra.
Segundo os dados avançados na apresentação do estudo, no Algarve produz-se 2,06 quilos de resíduos por habitante por dia, contra os 1,35 da média nacional.
A Algar, empresa responsável pela gestão e tratamento de resíduos no Algarve, processa anualmente mais de 400 mil toneladas de resíduos urbanos.
Mais de 80% vão diretamente para aterro, estando os dois equipamentos da região, situados nos concelhos de Portimão e Loulé, à beira do esgotamento, embora esteja prevista a construção de uma nova célula de reposição em cada uma.
O estudo, que será coordenado pela Universidade Nova de Lisboa e contará com o contributo das universidades do Algarve e de Aveiro, pretende encontrar uma solução para a fração resto, "aquilo que não se pode evitar, não se pode separar, não se pode reciclar, não se pode reutilizar", explicou a ministra.
As hipóteses existentes "são reduzidas" e passam pela incineração, pelo tratamento mecânico e biológico, proposta apresentada pela associação ambientalista ZERO, e pela conversão em energia, adiantou.
Questionada sobre se a incineradora, que Maria da Graça Carvalho sugeriu como opção em agosto, deixou de ser a solução primordial, a governante remeteu para o estudo e prometeu tomar uma decisão assim que esteja concluído, o que deve suceder no espaço de 11 meses.
"Assim que nos apresentarem o estudo iremos decidir, porque não há tempo a perder. Estes aterros vão ficar cheios daqui a muito pouco tempo, portanto temos de ter uma solução rápida", frisou, acrescentando que essa opção estrutural demorará sempre "quatro a cinco anos" a estar pronta.
Em relação ao investimento, a governante assegurou que há 3,2 mil milhões de euros disponíveis para canalizar para o setor dos resíduos, para resolver "as questões mais urgentes", sendo que "a mais urgente, neste momento, é o Algarve".
Segundo o presidente da APA, José Pimenta Machado, o estudo vai responder a três questões – "qual é a melhor solução, onde poderá localizar-se e que impactos terá" – e a solução apresentada terá de ser "muito clara e definitiva".
À porta da AMAL, a ministra esteve a dialogar com meia dezena de representantes da Associação de Moradores de Odelouca, Porto de Lagos e Rasmalho, que reclama o encerramento do Aterro Sanitário do Barlavento, em Portimão.
Confrontada com queixas relativas a cheiros intensos e pragas de moscas, que prejudicam o seu dia-a-dia, Maria da Graça Carvalho pediu aos moradores afetados para efetuarem uma participação às autoridades competentes, a nível regional, ou à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.
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