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Telavive em pausa após projeções que dão vitória amarga para Netanyahu

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Telavive em pausa após projeções que dão vitória amarga para Netanyahu

Os habitantes de Telavive vão dormir ignorando quem governará Israel nos próximos quatro anos, após as projeções das legislativas hoje realizadas apontarem para uma vitória do partido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, mas sem maioria para controlar o parlamento.

 

As sondagens à boca das urnas indicam que os partidos do bloco de oposição, que inclui o Yashar!, do ex-general Gadi Eisenkot e segundo nas projeções, também não alcançam os 61 lugares necessários para uma maioria parlamentar que viabilize um governo.

Mas abrem uma saída através das duas forças políticas árabes, através da sua integração no executivo, o que foi anteriormente rejeitado por Eisenkot e outros dirigentes do chamado bloco da mudança, ou do apoio parlamentar a um governo minoritário, o que vários analistas consideram mais provável e significaria o afastamento do partido Likud e do seu líder, Netanyahu.

Às 22:00 locais (menos duas horas em Lisboa), a cidade praticamente parou para seguir as primeiras projeções, culminando um intenso dia de campanha festiva em pleno feriado nacional, que atravessou artérias, praças e jardins, sobretudo dos apoiantes dos grupos de oposição, e junto das próprias assembleias de voto.

Mais de 7,3 milhões de israelitas foram hoje chamados às urnas e o dia encerra com uma participação recorde nos últimos 25 anos de 77,7%, quase oito pontos acima da registada nas anteriores eleições de 2022, e com uma vitória amarga de Netanyahu ou para os seus aliados de extrema-direita e ultraortodoxos.

Do outro lado, os líderes do bloco da mudança reclamaram uma derrota do Likud e do chefe do Governo.

Gadi Eisenkot e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que dirige a coligação Juntos (e terceira força nas projeções) com o também o ex-chefe do governo Yair Lapid, sinalizaram a constituição de um executivo de base sionista com apoio das duas formações árabes.

O presidente do Ra'am, Mansour Abbas, disse hoje, no entanto, que está em contacto com figuras tanto do bloco da oposição como do bloco pró-governamental, dando a entender que foi abordado pelo Likud.

"Todos estão a falar connosco, não apenas do 'bloco da mudança'", referiu o líder do partido árabe citado pelo Canal 12.

Benjamin Netanyahu ainda não se pronunciou e o Likud orientou os seus ministros para não concederem entrevistas, afirmou o ministro das Comunicações, Shlomo Karhi, aos jornalistas à entrada da sede do partido em Jerusalém, segundo o jornal The Times of Israel.

O líder do partido Otzma Yehudit (Poder Judaico) e ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, que poderá eleger dez deputados, avisou pelo seu lado que "a noite ainda é uma criança".

A incerteza sobre a saída política para viabilizar um governo levou a que os habitantes de Telavive regressassem a casa em vésperas de um dia de trabalho.

O ruidoso dia eleitoral deu lugar ao silêncio, apenas interrompido à passagem ocasional de carros com música em volume máximo, alguns dos quais levando bandeiras israelitas nas janelas mas sem assinatura partidária.

Ativistas anti-Netanyahu chegaram a manifestar-se na praça Habima, um dos lugares prováveis para eventuais festejos, mas eram poucos.

A praça Dizengoff, no coração de Telavive, foi, ao longo do dia da votação, um dos centros da animação eleitoral, com apoiantes dos partidos de oposição a ocupar o recinto, em campanhas separadas e dominadas pelo azul que é comum a todos. Tal como a sensação de inevitabilidade de se entenderem no dia seguinte se quiserem ser governo.

Numa votação vista como um referendo à governação de Benjamin Netanyahu e a primeira desde os ataques do grupo islamita Hamas, em 07 de outubro de 2023, que desencadearam várias frentes de guerra em várias direções, a praça foi abandonada à medida que a noite se abatia sobre a cidade.

No mesmo lugar, no muro da fonte central da praça, apenas ficaram centenas de retratos de vítimas do dia mais sangrento de Israel, um dos temas essenciais destas legislativas.

Leia Também: Eisenkot diz que quer formar Governo e opõe-se a novas eleições

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