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UE e Ucrânia alertam contra nova "arquitetura de segurança" na Europa

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Minuto Fonte Externa
6 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
UE e Ucrânia alertam contra nova "arquitetura de segurança" na Europa

"Já dispomos de uma arquitetura de segurança europeia", declarou em Varsóvia a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, referindo-se ao bloco europeu dos 27 e à NATO, nos seus "respetivos papéis".

 

"Devemos zelar por que a Ucrânia seja integrada nesta arquitetura", sublinhou Kallas à comunicação social, ao lado dos ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Polónia, Radoslaw Sikorski, e da Ucrânia, Andriï Sybiga.

E, independentemente do que acontecer, prosseguiu a responsável europeia, falando a poucos dias das conversações de paz entre Moscovo e Kyiv em Abu Dhabi, promovidas por Washington, "a Europa terá de ser incluída em qualquer resolução do conflito".

"Para que qualquer acordo possa ser aplicado, será necessário que a União Europeia faça parte dele", insistiu Kallas.

Além disso, antes de qualquer resolução do conflito, há ainda "muito trabalho a fazer", assegurou uma das suas porta-vozes em Bruxelas.

Estão previstas negociações entre russos e ucranianos a 10 e 11 de novembro em Abu Dhabi, sob mediação norte-americana, numa tentativa de encontrar uma solução para o conflito, mais de quatro anos e meio depois da invasão russa da Ucrânia.

Trump prometeu para breve "um acordo muito grande" com a Rússia e a Ucrânia, acrescentando que este "poderá englobar toda a Europa".

O MNE polaco sustentou hoje que é fundamental, acima de tudo, fazer as coisas pela ordem correta.

"Primeiro um cessar-fogo, depois negociações para uma paz duradoura e, só depois, eventuais discussões sobre como restabelecer o funcionamento da arquitetura europeia de segurança", afirmou Sikorski.

Por sua vez, o MNE ucraniano sublinhou que "a Rússia não é, nem pode ser, o garante da segurança da Europa".

"Devemos falar em proteger-nos contra a Rússia, e não discutir com os russos sobre zonas de influência na Europa", acrescentou.

Kyiv e vários países europeus temem que Washington se sinta tentado a exercer pressão para alcançar um acordo que vá, em grande medida, ao encontro das reivindicações russas.

Um dos negociadores norte-americanos, Jared Kushner, genro de Donald Trump, esclareceu as declarações do Presidente norte-americano, assegurando que o objetivo é alcançar "uma arquitetura de segurança europeia mais ampla, capaz de contribuir para criar as condições para uma paz duradoura".

Mas a expressão "arquitetura europeia de segurança" é, há anos, um dos principais elementos da linguagem utilizada pelo Kremlin.

O Presidente russo, Vladimir Putin, reiterou-o a 22 de outubro, durante uma entrevista à televisão estatal.

"O objetivo destas conversações será abordar a questão das garantias de segurança, tanto para a Ucrânia como para a Rússia (…) no âmbito de um acordo final" para a segurança europeia, declarou.

Por seu lado, os países europeus temem que esta nova "arquitetura europeia de segurança" passe por um enfraquecimento da NATO.

Jared Kushner, que participou na quinta-feira, por videoconferência, numa reunião dos aliados da Ucrânia em Bruxelas, afirmou, no entanto, que a Aliança Atlântica se manterá "no centro da defesa coletiva europeia".

"O nosso objetivo é definir termos concretos que atendam às preocupações de todas as partes em matéria de segurança, reduzam o risco de conflitos futuros e criem um ambiente de segurança mais estável e mais previsível", resumiu.

"Está bem, mas não à custa de um acordo firmado à nossa revelia, ou seja, por cima das nossas cabeças, o que seria injusto e imprudente", alertou o ministro polaco.

Para pôr fim à guerra, sustentou Kallas, "é necessário exercer pressão sobre o agressor".

"Além disso, para garantir a segurança da Europa, temos de assegurar-nos de que a Rússia já não tem capacidade para atacar", vincou a chefe da diplomacia europeia.

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Notícias ao Minuto com Lusa | 16:48 - 06/11/2026

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