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Várias ONG apelam ao bloqueio da candidata dos Emirados à ONU

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Várias ONG apelam ao bloqueio da candidata dos Emirados à ONU

Várias ONG de defesa dos direitos humanos pediram hoje às grandes potências que impeçam a candidata dos Emirados Árabes Unidos, Lana Nusseibeh, de chegar a secretária-geral da ONU, acusando o seu país de financiar os paramilitares no Sudão.

 

A diplomata de 48 anos entrou na corrida na semana passada e até agora nenhum dos candidatos conseguiu consenso para suceder ao português António Guterres, cujo segundo mandato termina no final do ano.

No Sudão, devastado por uma guerra que já causou mais de 200.000 mortos e provocou uma das mais graves crises humanitárias do mundo, Abu Dhabi é acusado pelo exército sudanês e por observadores internacionais de equipar os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR).

Os Emirados Árabes Unidos sempre negaram veementemente qualquer interferência no conflito, apesar das evidências apresentadas em vários relatórios.

"Acho que a candidatura dela (...) é totalmente inapropriada porque nega a realidade", indicou Ken Roth, da organização Human Rights Watch (HRW), durante uma conferência de imprensa on line com mais três associações.

"Não vejo provas suficientes para afirmar que esta candidata é independente do Estado de onde vem", estimou Kate Ferguson, codiretora da ONG britânica Protection Approaches.

"Não devemos ser ingénuos (...): 'pode tratar-se de uma tentativa deliberada de capturar a ONU por regimes autocráticos, com o apoio dos Estados Unidos, para tomar o controlo da organização'".

Questionada sobre o Sudão na tarde de hoje, durante uma audiência na ONU, Lana Nusseibeh declarou que "pôr fim ao conflito" que dilacera o país "será o verdadeiro teste de sucesso do próximo secretário-geral".

"As perdas humanas no terreno são trágicas. As atrocidades cometidas pelas Forças de Apoio Rápido são terríveis, e eu apoiaria [em caso de vitória, NDR] os trabalhos de todos os mecanismos das Nações Unidas de estabelecimento de factos para promover a obrigação de prestar contas", disse.

"Se for escolhida, serei a secretária-geral de todos, e a minha lealdade será para com as Nações Unidas e a carta da ONU", insistiu, sublinhando ainda que para concorrer ao cargo tinha "tirado uma licença das [suas] funções de ministra dos Emirados Árabes Unidos".

Para vencer os seus concorrentes, um candidato a secretário-geral da ONU deve obter nove votos em quinze no Conselho de Segurança, evitando o veto dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, China, França, Rússia).

Quando for alcançado um consenso no Conselho de Segurança, o nome será submetido à Assembleia Geral, que na prática segue a recomendação.

Leia Também: Ministra dos Emiratos Árabes apresenta candidatura à ONU

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