Ventura admite que Flávio "não devia ter fugido" (e não lhe daria asilo)
O presidente do Chega, André Ventura, confessou que, na sua ótica, Flávio Bolsonaro "não devia ter fugido" do Brasil, após ter saído derrotado na segunda volta das eleições presidenciais, que ditou a vitória do atual chefe de Estado, Lula da Silva. Apesar de hesitante, o parlamentar adiantou que, se fosse o primeiro-ministro de Portugal, não lhe daria asilo, por falta de "condições".
"Estou tramado, porque estamos em direto. […] Os brasileiros que vivem cá não vão gostar do que vou dizer", brincou, diante de um conjunto de jornalistas da CNN Portugal, esta tarde de quinta-feira.
"Acho que o Flávio não devia fugir e não devia ter fugido. […] Conheço o Flávio Bolsonaro, como o Eduardo e como o pai. Diria que, separando o André do titular político português, não há condições de [o] manter em Portugal, num país com estas condições, nesta legislação e no quadro da União Europeia", respondeu, pese embora tenha lamentado "tudo o que isto pudesse implicar de sofrimento e de dor – para ele e para a família".
"Não gosto de ser desleal; sou uma pessoa leal e amigo dos meus amigos", complementou.
Nessa linha, Ventura vincou que "aconselhá-lo-ia a voltar ao Brasil, a enfrentar a Justiça e a conseguir vencer no seu país, dando explicações para isso.
"Se fizesse aquilo que Flávio fez, o que gostaria é que tivesse um líder noutro país que me dissesse: ‘André, tens de voltar. Se foste contra o sistema e quiseste enfrentá-lo, agora tens de o enfrentar’", explanou.
Quanto às alegações de fraude no sufrágio, o líder do Chega considerou que "há coisas que foram estranhas, nomeadamente uma prorrogação do horário que foi decidida pelo Supremo Tribunal", ainda que tenha concedido "que foi pedida pelas duas candidaturas e só 34 mil votos é que chegaram depois".
"Acho que pode ter havido, mas não tenho a certeza, porque não estou lá. Tenho o hábito de não estar a meter-me na vida política dos outros; já temos a nossa. Sobre a nossa teria uma posição clara e tem sido sempre a de respeitar resultados eleitorais – acho que deve ser assim, a menos que haja provas evidentes de fraude, e espero que fizessem a mesma coisa", disse.
E acrescentou: "Faz-me estranheza que, numa primeira volta, um candidato fique à frente e o outro candidato fique a quatro milhões de votos, o que nunca aconteceu na história brasileira. Todos os outros candidatos que tinham esses milhões votos declararam apoio ao candidato que venceu [na primeira volta], mas quem venceu [na segunda volta] foi o outro candidato, que não teve o apoio de nenhum deles."
Importa realçar que esta análise não é factual, tendo em conta que Flávio Bolsonaro obteve o apoio de Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Romeu Zema (NOVO), Wilson Grassi (Democrata) e Ronaldo Caiado (PSD), enquanto Lula da Silva recebeu a ajuda de Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP). Já Rui Costa Pimenta (PCO) disse que votaria nulo e Renan Santos (Missão) deu liberdade aos eleitores para escolherem quem preferissem.
De notar que o candidato conservador derrotado, Flávio Bolsonaro, chegou aos Estados Unidos na quarta-feira, recusando-se a reconhecer o resultado da votação. Um dia antes de deixar o país, tinha publicado um vídeo no qual garantia que nunca abandonaria o Brasil e que entregaria os passaportes às autoridades policiais.
Numa longa missiva, o filho do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, aliado de Donald Trump, denunciou ter havido "fraude eleitoral" e afirmou querer liderar a oposição a partir do território norte-americano. Recorde-se que, no Brasil, está a ser investigado por crimes como corrupção e branqueamento de capitais.
Na carta ontem divulgada, Flávio assumiu-se, inicialmente, como "verdadeiro presidente do Brasil", versão que foi, pouco depois, alterada para "verdadeiro presidente". Numa terceira publicação, apresentou-se como "líder do Brasil".
Perante as alegações de fraude, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, garantiu que o sufrágio decorreu "dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais".
Saliente-se que Lula da Silva venceu as eleições com cerca de 51,7% e exercerá o quarto mandato presidencial a partir do início do próximo ano. Além de se ter consagrado o primeiro presidente na história do Brasil a ser eleito em quatro ocasiões diferentes, conseguiu reverter, de forma inédita, a desvantagem da primeira volta, na qual se posicionou em segundo lugar, atrás do filho de Jair Bolsonaro.
Bolsonaro (fugido) declara-se "presidente eleito", depois recua: "Líder"Flávio Bolsonaro emitiu uma declaração na qual se declara o "verdadeiro presidente eleito", do Brasil, fala em caça às bruxas e falou do pai, Jair Bolsonaro, que está "calado, preso e censurado". Menos de uma hora depois, editou a carta, substituindo a formulação "verdadeiro presidente eleito" para "verdadeiro presidente" e, finalmente, para "líder".
Notícias ao Minuto | 20:05 - 28/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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