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Violência policial ou "desrespeito da lei"? Protesto continua: As reações

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Minuto Fonte Externa
15 de outubro de 2026 • 8 min de leitura
Violência policial ou "desrespeito da lei"? Protesto continua: As reações

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, assim como o primeiro-ministro, Luís Montenegro, defenderam esta quinta-feira, 15 de outubro, a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a atuação da autoridade na manifestação pelo direito à habitação, que terá provocado mais de 30 feridos, entre os quais dois graves.

 

Para Pedro Duarte, a PSP foi "forçada" a intervir contra os manifestantes que estavam acampados na praça, porque houve um "desrespeito ostensivo da lei". Segundo o autarca,  além de não terem respeitado a lei do ruído e de não terem tirado as tendas do local, houve um "pequeno grupo que tentou criar confusão" durante a madrugada, o que levou a que os ânimos se exaltassem.

Luís Montenegro segue na mesma direção. A partir de Bruxelas, na Bélgica, onde está a participar numa reunião do Conselho Europeu, o chefe de Governo pediu aos manifestantes do Movimento pela Habitação, que "não sejam egoístas" quanto à tranquilidade e à ordem pública, e defendeu que as forças policiais portuguesas costumam ser "extraordinariamente criteriosas e respeitadoras".

Duas pessoas em estado grave e uma com deficiência entre feridos

No entanto, nenhum dos dois comentou as imagens amplamente partilhadas nas redes sociais e que mostram a ação musculada da PSP, que acabou por provocar, segundo o Movimento pela Habitação, mais de três dezenas de feridos, entre os quais uma pessoa com "deficiência".

Em declarações à agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, Luís Silva, disse que oito ativistas deslocaram-se à sede da corporação para serem assistidos, dois dos quais foram transportados ao Hospital de Santo António, no Porto.

Mais tarde, à RTP Notícias, o Hospital de Santo António confirmou ter recebido sete cidadãos feridos, "alegadamente em incidentes na Praça D. João I, no Porto".

Duas pessoas em estado grave e uma com deficiência entre feridos no Porto

O Movimento pela Habitação denunciou que a intervenção policial, no Porto, causou ferimentos em 37 participantes, sendo um deles uma pessoa com deficiência. Dois dos manifestantes estão em estado grave.

Notícias ao Minuto com Lusa | 13:53 - 15/10/2026

"Cinco apresentaram ferimentos ou hematomas ligeiros. Um homem apresentou um hematoma epicraniano, com TAC crânio-encefálica normal. Uma mulher apresentou uma fratura da região distal do rádio", adiantou, em comunicado, o diretor clínico hospitalar, José Barros.

Já do lado da PSP, houve uma baixa. Um agente ficou ferido e teve de ser transportado a uma unidade hospitalar.

Atuação da PSP coordenada pelo novo diretor nacional

Entretanto, o jornal Expresso, revelou que a atuação da PSP no protesto pelo direito à habitação foi coordenada internamente pela própria força de segurança, pelo novo diretor nacional, Pedro Moura, e pelo comandante municipal do Porto, Vítor Rodrigues.

Por sua vez, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, que tutela as forças de segurança, não teve qualquer intervenção no processo de preparação da intervenção da PSP. 

"Pedro Duarte não é um democrata, ou não mandaria fazer isto"

Ao contrário do que defende Luís Montenegro e Pedro Duarte, muitos são os que se têm manifestado contra a a atuação da PSP, considerando-a excessiva, face a um protesto pacífico.

O bloquista e ex-deputado da Assembleia da República (AR) José Soeiro foi um dos primeiros a reagir. Aliás, o sociólogo estava no local quando tudo aconteceu e contou o que viu nas redes sociais, onde acabou por partilhar também um vídeo do momento.

"Sem qualquer motivo, a polícia de intervenção carregou sobre quem, pacificamente, ocupava o espaço público. Carregou com violência. 35 feridos, pelo menos. Sei do que falo: também eu levei com empurrões e várias vezes com um cacetete na cabeça e nas costas, pelo simples facto de estar a filmar o que acontecia, como talvez se perceba no vídeo que partilho. Há muitos mais e mais graves. Pedro Duarte não é um democrata, ou não mandaria fazer isto", escreveu.

PS, BE e Livre questionam MAI

O secretário-geral do PS pediu hoje explicações ao ministro da Administração Interna sobre a intervenção policial nas manifestações pela habitação no Porto, que considerou comprovarem o falhanço do Governo nesta área.

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, onde participou na cimeira do Partido dos Socialistas Europeus (PES), José Luís Carneiro endereçou "uma palavra de solidariedade aos jovens" e "às pessoas que estão feridas", incluindo elementos das forças de segurança, esperando que "rapidamente possam recuperar a sua saúde".

O secretário-geral do PS defendeu que, no que se refere a estas manifestações, é preciso "salvaguardar dois valores fundamentais: por um lado, a liberdade de manifestação e, por outro lado, também a ordem pública".

"É preciso avaliar e pedir explicações urgentes ao ministro da Administração Interna para saber se a aplicação da lei se fez com a proporcionalidade devida. Mas sobre isso é preciso aguardar pelas explicações e pelas informações adicionais", sustentou.

Questionado se viu as imagens da carga policial, José Luís Carneiro admitiu que não, por ter estado ocupado com os trabalhos da cimeira do PSE, mas reiterou que irá procurar saber se "a intervenção foi feita com proporcionalidade".

"Porque as informações que recebi é de que teria havido uma intervenção desproporcional nos meios e no uso dos meios em relação àqueles jovens", afirmou, sustentando que é "muito importante que quem procura garantir a ordem pública e o Estado de direito", o faça "no quadro do respeito pelas liberdades e direitos fundamentais", entre os quais o de manifestar-se.

"E com certeza que o ministro da Administração Interna deve ser o primeiro a explicar os termos em que a intervenção ocorreu", reiterou.

PS quer "explicações urgentes" de MAI sobre intervenção policial no Porto

O secretário-geral do PS pediu hoje explicações ao ministro da Administração Interna sobre a intervenção policial nas manifestações pela habitação no Porto, que considerou comprovarem o falhanço do Governo nesta área.

Lusa | 14:49 - 15/10/2026

O deputado do Bloco de Esquerda (BE) Fabian Figueiredo também já reagiu e questionou o Ministério da Administração Interna (MAI) sobre quem ordenou a carga policial contra manifestantes no Porto e as razões de a operação ter sido feita de madrugada.

O mesmo fez o porta-voz do Livre. Jorge Pinto pediu explicações sobre a intervenção da PSP no protesto do Movimento pela Habitação no Porto, alegando uso desproporcional da força.

"Completamente inaceitável o uso desproporcional da força por parte da PSP esta madrugada, no Porto. Uma ação que foi sempre pacífica e ordeira, reprimida à força e que levou tudo à frente, exigem-se explicações", escreve Jorge Pinto, na rede social Bluesky.

E não foram são só políticos a reagir à operação policial que teve lugar esta madrugada no Porto. Pedro Abrunhosa e Capicua são apenas algumas das personalidades que se mostraram descontentes com a atuação da PSP e da autarquia.

"A repressão violenta da nossa Liberdade e desse ímpeto de lutar pelo direito à nossa cidade é um desrespeito por tudo o que o Porto representa. É uma traição", escreveu a rapper e escritora portuense Ana Matos Fernandes, conhecida no mundo da arte como Capicua.

Já para Pedro Abrunhosa "alegar o incumprimento da Lei para justificar a carga policial desta madrugada no Porto é abrir o flanco sobre o longo incumprimento constitucional e reduzir o assunto à mera escola da ordem pública".

Pedro Abrunhosa condena carga policial no Porto e exige diálogo

O músico Pedro Abrunhosa considera que o diálogo entre a Câmara do Porto, a polícia e os manifestantes poderia ter evitado a carga policial contra o acampamento pelo direito à habitação, e denuncia décadas de negligência dos sucessivos governos nas políticas de habitação.

Lusa | 15:01 - 15/10/2026 Carga policial não demove protestos

Um porta-voz do movimento "Mais Habitação", que está concentrado no Porto desde sábado, garantiu que o protesto vai continuar após ter sido desmobilizado à força pela PSP.

"Voltaremos e permaneceremos", disse Pedro Manuel, manifestando "total repúdio" pela intervenção e violência policial, acusando as autoridades de "instrumentalizarem as forças policiais".

O movimento convocou uma nova concentração para as 19h de hoje para a Praça D. João I, onde começou o movimento que, desde sábado, tem ocupado o local, mesmo depois de na segunda-feira a Polícia Municipal lhes tenha retirado cerca de 50 tendas e, esta madrugada, uma carga policial tenha causado, segundo contas do movimento, 37 feridos, dois graves.

"Face ao abuso policial, poder popular", pode ler-se no cartaz para a concentração de desta quinta-feira.

"Voltaremos", garantiu porta-voz de manifestantes no Porto

Um porta-voz do movimento "Mais Habitação", que esteve concentrado no Porto desde sábado, garantiu que o protesto vai continuar após ter sido desmobilizado à força pela PSP. Pedro Manuel, que falou à comunicação social, afirmou que o grupo voltará à praça e que a intervenção policial foi "desmedida".

Lusa | 11:33 - 15/10/2026

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