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Viúva de Navalny admite: "Ninguém sabe como derrotar Putin"

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Minuto Fonte Externa
30 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Viúva de Navalny admite: "Ninguém sabe como derrotar Putin"

A opositora russa exilada Yulia Navalnaya lamentou hoje que a Europa, em geral, "ainda não tenha uma estratégia" para lidar com a Rússia, sob um "regime ditatorial" e perante a invasão russa da Ucrânia.

 

A ativista política e economista, viúva de Alexei Navalny, que morreu envenenado na prisão em 2024, falava na 10.ª Edição das Conferências do Estoril, no painel subordinado ao tema "Coragem sob Pressão", associado a como continuar quando defender aquilo em que se acredita acarreta um trágico custo pessoal.

Crítica do regime do Presidente russo, Vladimir Putin, a ativista, que vive exilada em diferentes locais, sempre secretos, lamentou também desconhecer uma forma de provocar uma revolução na Rússia para pôr termo a um "regime ditatorial".

"Ninguém sabe. Se alguém soubesse, isso aconteceria. E é uma resposta muito normal. Se alguém soubesse como lutar contra Putin e como derrotá-lo, então, espero que surja", afirmou Navalnaya, lembrando que a organização que dirige a partir do exílio não recebe qualquer tipo de apoio, sendo, por isso, "absolutamente independente".

"Estamos a lutar, a existir com apoio, isso sim, de alguma oposição europeia", referiu, salientando desconhecer se as atuais sanções ocidentais impostas à Rússia são ou não suficientes.

"Não vejo nenhuma estratégia nessas sanções. Não é um problema se apoio ou não essas sanções. Essas sanções foram tomadas absolutamente por acidente. E eu acho que esse é um dos maiores problemas: a Europa ainda não tem uma estratégia sobre a Rússia em geral", frisou Navalnaya.

Para a ativista russa, as sanções deviam ter sido impostas mais cedo, muito antes de 2022, pelo que, atualmente, em 2026, a guerra continua.

"Putin está no poder, ninguém sabe o que fazer, e a Europa ainda não entende o que fazer com Putin, o que fazer com a Rússia. […] Como normalmente funciona com qualquer ditador, ele apenas percebe que o dinheiro não é suficiente e que quer o poder absoluto dentro da Rússia", explicou.

Desde a morte de Alexei Navalny – o opositor do Presidente russo, Vladimir Putin, que faleceu na prisão em 2024, envenenado por uma toxina rara, segundo os resultados de uma investigação europeia publicada em fevereiro –, Navalnaya tornou-se uma figura de proa da oposição russa no exílio.

Sobre como se pode lutar no futuro contra o regime de Moscovo, a viúva de Navalny admitiu que, atualmente, não se pode recorrer ao facto político, nomeadamente a eleições livres.

"Em todos os países há partidos políticos e podem participar nas eleições. Nós não temos essa oportunidade, mas nós somos todos, em geral, oposição. Estamos a lutar contra o Putin e contra o seu regime. Mas ninguém encontra aqui o método de como lutar contra Putin. Mas ainda não sabemos bem como", sublinhou, acrescentando ter a noção de que a população russa está "preparada para a democracia".

"Infelizmente, nunca teve a possibilidade de viver sob a democracia".

"Provavelmente no início dos anos 1990, num período muito curto, teve essa possibilidade de sentir o mercado livre e as mudanças democráticas", argumentou, lembrando que, depois de Mikhail Gorbachev veio Boris Yeltsin, que cedeu o poder ao atual presidente, no poder, como chefe de Estado ou primeiro-ministro, há 27 anos.

"Putin é qualificado como Presidente da Rússia, mas nunca participou em eleições democráticas normais, porque, em 2000, quando Yeltsin disse que Putin era o seu sucessor, Putin recebeu todo o apoio de todos em torno de Yeltsin e do Kremlin, para se tornar presidente. Já se realizaram eleições, mas, como se sabe, não há eleições democráticas na Rússia", observou.

Sobre o facto de Putin ter sido elogiado recentemente pela administração norte-americana, Navalnaya mostrou-se surpreendida por, na Europa, acharem que os dois presidentes "se admiram um ao outro", pois o que "verdadeiramente conta são as relações de negócios".

"Funciona assim. Entendem que se podem ajudar um ao outro em algumas maneiras. [Trump] pensa que a Rússia é um grande país, e aqui está o presidente de um grande país, de uma Rússia enorme. E, então, entendemos uns com os outros porque 'somos presidentes, estamos ao mesmo nível'", afirmou a ativista russa.

Mas Navalnaya recordou que, no início de 2025, quanto Trump voltou à Casa Branca, Putin "foi banido de todos os países da Europa".

"Ninguém conversou com ele. Nessa época, era óbvio que não tinha o suficiente de atenção para ele. Agora, já não são apenas os presidentes norte-americanos, mas também os europeus que querem comunicar com Putin. Entendo que deve haver negociações sobre como parar a guerra. Mas é um processo muito complicado", declarou.

"Não entendo, para ser honesta. A América fala com a Rússia sobre isso, os presidentes europeus chamam Putin e falam com ele sobre a guerra. Para mim, é ridículo e estranho que nestas negociações a Ucrânia esteja ausente, sem ser convidada", concluiu.

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Lusa | 17:43 - 27/10/2026

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