Yotova vence segunda volta e é a 1.ª mulher eleita presidente da Bulgária
A Presidente interina búlgara, Iliana Yotova, apoiada por um partido pró-russo, venceu a segunda volta das presidenciais no domingo e tornou-se a primeira mulher eleita chefe de Estado da Bulgária, anunciou hoje a Comissão Eleitoral.
Com a totalidade dos votos contados, Yotova obteve 57,6% e o candidato da oposição liberal e pró-ocidental, Andrey Gyurov, alcançou 39,5%, segundo os dados oficiais citados pela agência norte-americana AP.
Gyurov admitiu a derrota, declarando que "foi assim que os cidadãos búlgaros votaram" e que os resultados devem ser aceites tal como são.
Yotova prometeu trabalhar pelo consenso nacional, promovendo pontes entre as fraturas políticas do país.
"Votei pelo consenso nacional através do diálogo, por instituições que trabalhem para os cidadãos, por um Estado forte com a sua própria política externa numa Europa forte", declarou Yotova após a votação.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, felicitou Yotova e manifestou a intenção de continuar a cooperação em matérias de segurança e defesa, competitividade e independência energética.
"Por uma Bulgária forte numa Europa forte", escreveu Von der Leyen numa publicação nas redes sociais.
A eleição representou o primeiro grande teste para a formação política do primeiro-ministro, Rumen Radev, o partido pró-Moscovo Bulgária Progressista, que apoiou Yotova.
Nas eleições parlamentares de abril, o partido liderado por Radev conquistou 131 dos 240 assentos do parlamento, assegurando a maioria absoluta.
Analistas assinalam que a vitória de Yotova mantém a presidência nas mãos da maioria governamental, uma concentração de poder que poderá comprometer a eficácia do sistema de escrutínio e equilíbrio institucional sobre as decisões políticas.
Tanto Yotova como Radev têm apelado a uma solução diplomática para pôr fim à guerra na Ucrânia, iniciada pela Rússia em 2022.
Têm-se mantido, no entanto, evasivos quanto a um eventual envolvimento russo em ataques com 'drones' na região do mar Negro.
Yotova opôs-se ao envio de mais assistência militar búlgara para a Ucrânia, reiterando que o conflito não tem solução militar e apelando a uma "coligação pela paz" focada na diplomacia.
Com 62 anos, Yotova assumiu a presidência em janeiro, quando Radev renunciou ao cargo para concorrer ao parlamento.
Prevê-se que Yotova dê continuidade à linha de Radev, mantendo a Bulgária no rumo europeu, ao mesmo tempo que defende a melhoria das relações com a Rússia e o levantamento das sanções contra Moscovo.
A carreira profissional de Yotova começou como jornalista de televisão nos anos 1990.
Posteriormente, entrou na política, foi eleita para o parlamento nacional e, mais tarde, para o Parlamento Europeu, nas listas do Partido Socialista.
Em 2016 e 2021, foi eleita vice-presidente de Radev.
Yotova partilhou a vitória com Kiril Valchev, que escolheu para vice-presidente.
Valchev, advogado e jornalista de 53 anos, dirigia a agência de notícias oficial búlgara (BTA) desde 2021.
O país balcânico aderiu à NATO em 2004 e à União Europeia em 2007.
Embora exista um amplo consenso partidário quanto à orientação pró-ocidental da Bulgária, os fortes sentimentos pró-russos, com raízes históricos e culturais, dividem a sociedade, em particular desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.
A presidência búlgara tem funções maioritariamente cerimoniais, mas apesar de a chefe de Estado não deter poder executivo e de as principais medidas políticas requererem aprovação parlamentar, a eleição direta confere-lhe acrescida autoridade política.
A Presidente da República comanda as Forças Armadas, pode vetar legislação, assina tratados internacionais e nomeia embaixadores.
Na Bulgária, os presidentes são eleitos para um mandato de cinco anos, renovável no máximo por duas vezes consecutivas.
A tomada de posse de Yotova está prevista para 22 de janeiro de 2027.
Leia Também: Sondagem: Pró-russa Iliana Yotova vence as presidenciais na Bulgária
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