Ação policial? PSP denuncia "agressões inaceitáveis" em vídeo nas redes
A Polícia de Segurança Pública (PSP) divulgou esta terça-feira, dia 27 de outubro, um vídeo para mostrar que os agentes foram também alvo de violência nas intervenções policiais levadas a cabo na madrugada de sábado para domingo no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, na sequência das manifestações pela habitação.
O vídeo, partilhado nas redes sociais, defende que "a violência não pode ser tolerada".
"A Polícia de Segurança Pública está sempre presente para garantir, assegurar e proteger o direito fundamental à reunião e manifestação", poder ler-se na legenda que acompanha as imagens.
E acrescenta: "A nossa missão no espaço público é acompanhar e apoiar quem exerce a sua voz, equilibrando esse direito com as liberdades de toda a comunidade. Para que isso aconteça, privilegiamos um constante esforço e diálogo, mediação e sensibilização junto dos manifestantes".
A PSP assegura ainda que procura "sempre o entendimento e a conciliação entre tudo". "Contudo, a violência não pode ser tolerada. As agressões dirigidas à polícia são inaceitáveis e não serão toleradas", sublinha.
"A segurança de todos constrói-se com respeito mútuo. Continuamos sempre presentes pela segurança de todos", conclui.
As imagens partilhadas são um compilado de vários momentos divulgados pelos meios de comunicação social aquando a ação policial sobre os manifestantes tanto em Lisboa como no Porto. O Notícias ao Minuto está a tentar entrar em contacto com a Direção Nacional da PSP, no sentido de indagar sobre as imagens divulgadas e a mensagem subjacente, não tendo até ao momento sido possível.
Veja o vídeo acima.
Recorde-se que, durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto.
Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República.
António José Seguro apelou esta terça-feira ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
"Não gostei do que vi. Não são imagens normais de democracia consolidada""Não gostei do que vi", assumiu o Presidente da República em reação à carga policial nos protestos pela habitação em Lisboa. António José Seguro considerou ainda que as imagens "não são normais numa democracia consolidada".
Márcia Guímaro Rodrigues | 11:34 - 27/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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