Caças franceses forçam aterragem de voo comercial após recusa do piloto
Dois caças franceses obrigaram hoje um avião da companhia aérea irlandesa Aer Lingus, que tinha sido desviado devido a uma ameaça de bomba, a aterrar numa base aérea francesa após a recusa do piloto em aterrar em instalações militares.
O avião, um Airbus A320, que voava de Dublin com destino a Roma, acabou por aterrar na base aérea de Évreux, no noroeste de França, segundo a emissora regional France 3, na Normandia.
O aparelho foi intercetado por um Mirage 2000-5 e um Rafale após o piloto, de nacionalidade irlandesa, se ter recusado a aterrar na base militar e de ter solicitado um aeroporto civil, entre os quais mencionou Beauvais ou Nantes, precisaram fontes judiciais citadas pela France 3.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, a decisão de enviar caças foi tomada pelo próprio, ao constatar a atitude do piloto e a sua falta de cooperação.
O Ministério Público de Évreux abriu três inquéritos independentes para esclarecer a conduta do comandante do A320, cuja recusa inicial em aterrar na base militar poderá constituir uma infração ao Código de Transporte Aéreo francês.
Este incidente ocorreu no contexto de vários casos envolvendo falsas ameaças de bomba em aparelhos aéreos, que afetaram nas últimas horas mais de 15 voos e aeroportos europeus em França, Itália, Bélgica, Bulgária, República Checa, Áustria, Polónia, Dinamarca e Grécia, depois de, na terça-feira, vários alertas terem já obrigado à ativação de amplos dispositivos de segurança.
Um dos voos afetados fazia a ligação entre a cidade do Porto e Milão, também afetado devido a uma falsa ameaça de bomba, segundo a agência de notícias italiana ANSA.
Um dos voos afetados na terça-feira fazia a ligação Lisboa-Roma.
Entretanto, uma célula extremista russa enviou um email para os aeroportos italianos com ameaças de bomba contra seis voos, avançou ainda a agência Ansa.
"A explosão ocorrerá dentro de 60 minutos. Hoje, o vosso céu ficará vermelho", é assim que termina o email com ameaças de bomba, recebido nos aeroportos italianos e assinado pelos combatentes do "Male State" (Estado Masculino, em português).
A assinatura remete para o Muzhskoye Gosudarstvo, um movimento russo ultranacionalista e misógino — já conhecido das autoridades internacionais — fundado por Vladislav Pozdnyakov e proibido na Rússia.
"Nós, os combatentes do 'Estado Masculino', deixaremos a nossa marca na história com as nossas ações de hoje. O vosso regime feminista vai lembrar-se disto para sempre", referiu o email citado pela Ansa.
Além deste incidente, três voos da companhia aérea Ryanair com destino à Bulgária e com partida de Madrid, Londres e Copenhaga foram afetados por falsas ameaças de bomba, segundo o Ministério dos Transportes búlgaro, que confirmou que não foram encontrados artefactos explosivos em nenhum dos três aviões, os quais foram escoltados por aviões militares até à aterragem.
Os voos provenientes de Madrid e Copenhaga aterraram à hora prevista no aeroporto Vasil Levski, em Sófia.
O voo proveniente de Londres foi desviado para o aeroporto de Plovdiv, a 120 quilómetros de Sófia, onde foi submetido a protocolos de segurança.
A companhia aérea Finnair confirmou, por seu lado, que dois voos que ligavam Helsínquia a Roma e Viena receberam ameaças de bomba, embora ambas as aeronaves tenham aterrado normalmente nos destinos.
Também o voo AY1471 de Helsínquia para Viena, operado pela companhia dinamarquesa Jettime, aterrou sem problemas na capital austríaca, onde também outro voo da companhia WizzAir, que fazia a rota Milão Malpensa-Varsóvia, efetuou uma aterragem de emergência devido a outra ameaça de bomba.
O Serviço de Informações romeno informou, por seu lado, que o Aeroporto Internacional de Bucareste foi alertado para uma ameaça de bomba num avião da WizzAir que voava de Milão para a capital romena com 182 passageiros e sete tripulantes.
Quatro aviões com destino a Praga, que tinham recebido ameaças de bomba, aterraram conforme previsto na capital checa e a polícia informou que não foram encontrados objetos suspeitos.
Em Bruxelas, um avião de passageiros polaco da companhia LOT aterrou no aeroporto de Bruxelas-Zaventem, sem incidentes, após ter recebido um alerta.
Dois voos da companhia aérea grega Aegean, um de Salónica para Milão e outro de Atenas para Viena, receberam também ameaças falsas de bomba, anunciou a companhia num comunicado.
Paralelamente, no aeroporto Chopin de Varsóvia, uma das pistas teve de ser temporariamente encerrada, após outro voo da LOT com destino a Paris ter sido afetado por uma possível ameaça, indicou o porta-voz dos Aeroportos Polacos, Piotr Rudzki.
Explicou que foram aplicados os procedimentos de segurança habituais, ou seja, a inspeção do avião, dos passageiros e da sua bagagem, mas "a ameaça não foi confirmada", após o que o aeroporto pôde retomar o funcionamento normal.
Também o aeroporto de Copenhaga registou um incidente identificado como um falso alarme relacionado com duas aeronaves, o que obrigou à mobilização de polícias e militares especializados na desativação de explosivos, segundo a agência dinamarquesa Ritzau.
Nova ameaça de bomba: Voo da Irlanda desviado para base militar em FrançaUm voo da Irlanda para Itália foi desviado para França, esta quinta-feira, devido a uma ameaça de bomba, anunciou o gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
Notícias ao Minuto, Lusa | 09:12 - 05/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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