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Cerca de 20 mil moçambicanos deixaram a África do Sul desde junho

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Minuto Fonte Externa
5 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Cerca de 20 mil moçambicanos deixaram a África do Sul desde junho

Cerca de 90 mil estrangeiros, incluindo aproximadamente 20 mil moçambicanos, deixaram a vizinha África do Sul desde junho na sequência de ameaças e episódios de violência contra imigrantes, avançou hoje à Lusa uma autoridade sul-africana.

 

"Em termos globais, falamos de cerca de 90 mil pessoas que deixaram a África do Sul após as ameaças de violência registadas depois de 30 de junho de 2026", disse o comissário e chefe executivo da Autoridade de Gestão de Fronteiras (BMA, na sigla inglesa) sul-africana, Michael Masiapato, em entrevista exclusiva à Lusa.

Sem avançar números concretos para os restantes países, o responsável reconheceu que a onda de violência levou à saída em massa de imigrantes, sobretudo por via terrestre, apontando o Zimbabué como a principal origem dos cidadãos que abandonaram a África do Sul, seguido do Maláui, Moçambique e Lesoto.

"Os moçambicanos representavam aproximadamente 20 mil pessoas", declarou Michael Masiapato.

Entre os estrangeiros que deixaram o país por via aérea, através do Aeroporto Internacional OR Tambo, o responsável destacou cidadãos da Nigéria e do Gana.

Apesar de ainda persistirem ataques em alguns pontos do país, o comissário assegurou que, nos últimos dias, a África do Sul voltou a registar um aumento das entradas de migrantes, embora a imigração ilegal continue a ser a principal preocupação das autoridades.

"Infelizmente, o maior desafio continua a ser a imigração ilegal. É uma luta constante. Por isso, por vezes, verifica-se que a população acaba por se revoltar e a queixar-se do número de pessoas que se encontram ilegalmente no país", afirmou.

Contudo, acrescentou que as autoridades continuam a processar e permitir a entrada de estrangeiros que cumprem os requisitos legais para turismo, visita ou trabalho.

Para reduzir a imigração ilegal, Michael Masiapato disse que as autoridades sul-africanas intensificaram o trabalho de fiscalização ao longo da linha de fronteira e nos postos de travessia.

"Começámos a realizar um trabalho mais intenso para garantir que identificamos e intercetamos indivíduos que tentam entrar ilegalmente no país, tanto na linha da fronteira como nos postos de entrada, especialmente aqueles que tentam subornar funcionários para conseguirem entrar ilegalmente", declarou.

Entre as medidas adotadas, destacou a utilização de drones nos principais pontos de travessia fronteiriça, em particular na zona de Lebombo, junto à fronteira com Moçambique. Segundo o responsável, a introdução desta tecnologia permitiu reduzir significativamente as tentativas de entrada ilegal no território sul-africano.

O responsável da BMA destacou igualmente a cooperação com as autoridades moçambicanas no combate à imigração ilegal, através de ações coordenadas envolvendo as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, a polícia e as autoridades aduaneiras.

"Sabemos que o Governo de Moçambique e os seus agentes não incentivam a imigração ilegal. Por isso trabalhamos em conjunto e eles ajudam-nos a intercetar indivíduos que tentam entrar ilegalmente na África do Sul", acrescentou.

As tensões xenófobas constituem um problema recorrente na África do Sul e têm provocado, nos últimos anos, várias vagas de violência, resultando em dezenas de mortos, sobretudo em bairros economicamente vulneráveis.

Os grupos anti-imigração responsabilizam frequentemente os estrangeiros pelos problemas económicos, deficiências nos serviços públicos e elevados índices de criminalidade, tendo chegado a impedir o acesso de imigrantes a serviços públicos de saúde e educação.

O Governo moçambicano avançou em setembro que pelo menos 2.071 cidadãos nacionais regressaram ao país devido à violência xenófoba, fenómeno que provocou oficialmente a morte de 11 moçambicanos.

Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul, tendo a Presidência da República indicado anteriormente que milhares de nacionais regressaram ao país devido à escalada da violência.

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Lusa | 23:32 - 02/11/2026

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