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Entrámos no mundo do ténis ao conduzir este Renault 5 E-Tech

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Minuto Fonte Externa
18 de outubro de 2026 • 11 min de leitura
Entrámos no mundo do ténis ao conduzir este Renault 5 E-Tech

Em 2024, o Renault 5 E-Tech tornou-se no primeiro neoclássico elétrico de uma série de três por parte do fabricante francês. Irreverente e multifacetado, o hatchback do segmento B tem também uma variante especialmente pensada para quem gosta de ténis.

 

Falamos do Renault 5 E-Tech Roland Garros, que o Auto ao Minuto teve a oportunidade de conduzir durante alguns dias. Tecnicamente, não tem nada que o distinga do que se pode encontrar também na restante gama.

Assim, está assente na plataforma RGEV Small do Grupo Renault, com a bateria de níquel-manganês-cobalto de 52 kWh e um motor dianteiro capaz de entregar 150 cv de potência e 245 Nm de binário. A autonomia em ciclo combinado é de 409 km.

A gama Renault 5 E-Tech começa nos 24.900 euros, mas o Roland Garros surge desde os 36.740 euros e a unidade ensaiada tem um preço proposto de 39.478,59 euros. Esta edição só está disponível com a motorização mais potente da gama de três níveis.

No que diz respeito ao preço, está mais de mil euros acima do que a variante anterior com a mesma motorização (iconic cinq) e a diferença face ao evolution supera os cinco mil euros - o que não nos parece compensar, já que apenas a cosmética é diferente.

Um carro inspirado no ténis

Alavanca do modo de marcha remete para o punho de uma raquete de ténis© Notícias ao Minuto  

Já lhe falámos aqui no Auto ao Minuto sobre o Renault 5 E-Tech. Por isso mesmo, vamos começar pelo que realmente distingue a variante Roland Garros - as decorações exteriores e interiores inspiradas no mítico torneio de terra batida de Paris (França).

As linhas mestras do modelo neoclássico não são descartado: as formas e formatos são todos idênticos ao de qualquer outro Renault 5 E-Tech. Os grandes detalhes distintivos por fora são as jantes de 18 polegadas em liga leve electro com corte diamantado e o gráfico dedicado Roland Garros na porta dianteira com formas da cruz de Santo André em referência ao recinto do torneio.

Existem quatro cores possíveis e estivemos ao volante de uma unidade em Branco Nacarado com tejadilho contrastante em Preto Estrela. O preto marca também presença nos frisos e nas cavas das rodas.

Por dentro é que a inspiração em Roland Garros se torna mais evidente. Logo ao abrir as portas, há o logótipo Roland Garros nas embaladeiras. Os bancos em tecido reciclado (que não são os mais agradáveis ao toque) têm um padrão gráfico que nos fez lembrar material de ténis e os da frente incluem logótipo Roland Garros no encosto. A terra batida é replicada pela cor dos contornos dos tapetes e pelo tapete de borracha na consola central.

A alavanca para controlar o modo de marcha encontra-se por trás do volante e a sua pega remete para o punho de uma raquete de ténis. Já à frente do passageiro dianteiro encontra-se o logótipo Roland Garros iluminado no tablier.

A conduzir

Posto do condutor© Notícias ao Minuto  

O Renault 5 E-Tech é um automóvel em que o condutor segue numa posição equilibrada - talvez um pouco mais alta do que seria de esperar para o modelo antes de entrar. O volante achatado em cima e em baixo é ergonómico, embora nos pareça um pouco grosso demais para o carro. O botão de ligar/desligar surge junto do ecrã central, da parte esquerda.

A suspensão, independente em todas as rodas, garante um comportamento equilibrado e suficientemente dinâmico quer em estradas mais sinuosas, quer em autoestrada - embora neste último contexto se sintam algumas oscilações e seja menos refinado. O que não é um problema, visto que não é o seu ambiente primário. Também testemunhámos uma competente capacidade de amortecimento das irregularidades do piso e a precisão e facilidade da direção - que é algo leve. A travagem é linear, mas sentimos que o pedal é um pouco duro.

Encontrámos um automóvel ágil e no qual sentimos sempre que o desempenho é suficiente e entregue de forma célere (mesmo em modo Eco, onde a entrega é mais comedida e a velocidade fica limitada a cerca de 115 km/h). Em modo Sport, parece um pouco mais aguerrido na entrega e solto. O pedal do acelerador é fácil de controlar.

Apesar de não termos nada a apontar no comportamento em autoestradas e em percursos por estradas nacionais e secundárias, a cidade é o ambiente natural do Renault 5 E-Tech, graças às suas dimensões contidas, amortecimento eficaz e manobrabilidade em espaços mais contíguos com um diâmetro de viragem entre passeios de 10,3 metros.

O painel de instrumentos de dez polegadas tem gráficos cativantes e legíveis, com múltiplos modos de exibição (incluindo a navegação em tamanho grande, o que diminui a necessidade de desviar o olhar para o ecrã central).

Os modos de condução predefinidos são três (Eco, Sport e Comfort), havendo ainda a possibilidade de personalizar. A seleção faz-se através do botão Multi-Sense no volante, que contribui também para um toque algo desportivo do referido volante.

Não temos condução One Pedal (apenas o modo D e o modo B com maior potência da travagem regenerativa, em que se sente um claro abrandamento ao tirar o pé do acelerador).

Abundam os apoios à condução: cruise control adaptativo inteligente (particularmente útil em autoestrada, assim como a assistência de manutenção na faixa de rodagem), limitador de velocidade, alerta de ângulo morto, aviso de obstáculo traseiro, câmara de marcha-atrás, sensores de estacionamento, alerta de distância de segurança, aviso e prevenção de saída de via, entre outros.

De mencionar, ainda, uma ferramenta útil para quem conduz: a pontuação da condução Eco Score e Safety Score, acessível através do ecrã tátil central, que dá uma noção do que é possível otimizar na condução.

Autonomia e consumo

A bateria de 52 kWh que equipa o Renault 5 E-Tech permite-lhe, segundo a ficha técnica oficial, percorrer até 409 km em ciclo combinado. O consumo combinado WLTP é de 15,1 kWh/100 km.

Ora, a eficiência surpreendeu-nos. Numa viagem em autoestrada com pouco mais de 100 quilómetros de extensão, conseguimos médias em torno dos 15 kWh - usando maioritariamente os modos Eco e B e mantendo uma velocidade abaixo dos 100 km/h, sem ar condicionado.

Com o carro carregado a 100 por cento, gastámos cerca de metade numa viagem entre a zona norte de Lisboa e Évora. O que nos pareceu razoável, tendo em conta o percurso feito maioritariamente em autoestrada.

Quando experimentámos o carregamento rápido, tínhamos a bateria nos 55 por cento. Em cerca de 45 minutos, repusemos até 100 por cento. Como referência, a Renault anuncia a possibilidade de carregar dos 15 aos 80 por cento em meia hora a 100 kW, mas durante a sessão de carregamento não chegámos a atingir essa potência.

Em todo o caso, pareceu-nos um tempo razoável dependendo do uso que se estiver a dar ao automóvel: talvez não seja o ideal esperar 45 minutos durante uma deslocação longa, mas é um tempo que num uso diário normal permite, por exemplo, ir às compras e deixar o veículo a carregar.

Numa condução em percursos mistos, o consumo ronda os 14 kWh/100 km, sendo que em condução citadina cai ainda um pouco mais.

No interior

Interior visto desde a bagageira© Notícias ao Minuto  

O interior do Renault 5 E-Tech, para além das particularidades de design alusivo a Roland Garros que já mencionámos, apresenta um espaço relativamente confinado para os passageiros que seguem atrás (em especial para as pernas) e mais razoável para os da frente. A bagageira não é capaz de levar muita carga (277 litros ou 959 litros se os bancos traseiros forem rebatidos).

Na zona do volante, consideramos que a inclusão de uma haste para o modo de marcha numa posição próxima à do limpa para-brisas pode criar alguma confusão, sobretudo quando se está a criar rotinas com o carro. Uma solução que já vem de há algum tempo na Renault, tal como a haste mais abaixo para controlar a multimédia, que também não nos parece ser a solução mais intuitiva possível.

A construção é bem conseguida, embora nem todos os materiais sejam suaves ao toque (em particular o tecido usado nos bancos). As entradas de ar condicionado têm um desenho retangular com uma certa energia retro, assim como os painéis das portas.

O espaço de arrumação inclui um compartimento oculto abaixo do apoio para braços na consola central, porta-copos e um espaço pequeno (por exemplo para o comando do carro) antes da zona de carregamento sem fios para smartphones. Há, também, duas entradas USB na dianteira.

Para controlar o sistema de infoentretenimento e a navegação, temos um ecrã central tátil de 10,1 polegadas openR link, sendo que também há assistente de voz. O sistema de som Arkamys Classic de seis altifalantes foi outra característica com que contactámos e passou com distinção no teste.

É possível ligar smartphones sem fios via Android Auto e Apple CarPlay, há ar condicionado automático, bancos dianteiros aquecidos e ajustáveis eletricamente (incluindo regulação lombar elétrica para o condutor), tal como volante aquecido e filtro de pólen.

Não faltam os comandos físicos e/ou de acesso rápido e intuitivo para funções essenciais ou recorrentes, nem mesmo para a climatização (uma lacuna em tantos carros que conduzimos). De mencionar, ainda, a iluminação ambiente que varia conforme o modo de condução selecionado, num habitáculo que é no geral silencioso.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
  •  
RENAULT 5 E-TECH ROLAND GARROS BATERIA Capacidade 52 kWh Tecnologia Iões de lítio (NMC) Autonomia 409 km (WLTP) Tempo de carregamento AC 11 kW: ~6h (10-80%) | DC 150 kW: 35 min (10-80%) MOTOR Posição Eixo frontal Arquitetura Síncrono de rotor bobinado Potência 150 cv Binário 245 Nm TRANSMISSÃO Tração Dianteira Caixa de velocidades Automática CHASSIS Suspensão FR: Independente McPherson ; TR: Independente multilink Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos Direção Assistência elétrica variável DIMENSÕES E CAPACIDADES Comp. x Larg. x Alt. 3.922 mm x 1.808 mm x 1.498 mm Distância entre eixos 2.540 mm Capacidade da mala 277 l (959 l com os bancos traseiros rebatidos) Rodas FR/TR: 195/55 R18 Peso 1.504 kg (em ordem de marcha) PRESTAÇÕES E CONSUMOS Velocidade máxima 150 km/h 0-100 km/h 8s Consumo misto 15,1 kWh/100 km Emissões CO2 0 g/km 8

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ANÁLISE
  •  
O Renault 5 E-Tech Roland Garros proporciona uma condução divertida, comportamento dinâmico e ágil, autonomia e consumo competentes. É um carro que se sente particularmente confortável nas cidades e em deslocações pendulares diárias, sem virar a cara a um percurso um pouco mais extenso de fim de semana, por exemplo. No entanto, o espaço confinado para quem segue atrás e a bagageira relativamente pequena não o torna convidativo a grandes deslocações com os cinco lugares ocupados (especialmente se forem adultos atrás) e que estejam associadas a muita carga. O Roland Garros é, visualmente, um carro que vai seguramente apelar aos amantes de ténis, que aqui encontram um veículo inspirado num dos maiores torneios do mundo. Se o diferencial de preço face a outras versões o justifica? A nosso ver, não, até porque nada muda do ponto de vista técnico, mas terá de ser uma avaliação de cada um.
  • Identidade muito própria dentro da gama
  • Comportamento geral
  • Espaço e habitabilidade atrás
  • Preço
  Renault 5 E-Tech: Mais potência pelo mesmo preço em Portugal

O Renault 5 E-Tech fica mais potente e versátil pelo mesmo preço de entrada, com as encomendas abertas em Portugal - algumas funcionalidades ficarão disponíveis nas próximas semanas. A gama começará com uma motorização de 110 cv e bateria para 305 km de autonomia.

Bernardo Matias | 15:49 - 08/09/2026

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