Entrámos no mundo do ténis ao conduzir este Renault 5 E-Tech
Em 2024, o Renault 5 E-Tech tornou-se no primeiro neoclássico elétrico de uma série de três por parte do fabricante francês. Irreverente e multifacetado, o hatchback do segmento B tem também uma variante especialmente pensada para quem gosta de ténis.
Falamos do Renault 5 E-Tech Roland Garros, que o Auto ao Minuto teve a oportunidade de conduzir durante alguns dias. Tecnicamente, não tem nada que o distinga do que se pode encontrar também na restante gama.
Assim, está assente na plataforma RGEV Small do Grupo Renault, com a bateria de níquel-manganês-cobalto de 52 kWh e um motor dianteiro capaz de entregar 150 cv de potência e 245 Nm de binário. A autonomia em ciclo combinado é de 409 km.
A gama Renault 5 E-Tech começa nos 24.900 euros, mas o Roland Garros surge desde os 36.740 euros e a unidade ensaiada tem um preço proposto de 39.478,59 euros. Esta edição só está disponível com a motorização mais potente da gama de três níveis.
No que diz respeito ao preço, está mais de mil euros acima do que a variante anterior com a mesma motorização (iconic cinq) e a diferença face ao evolution supera os cinco mil euros - o que não nos parece compensar, já que apenas a cosmética é diferente.
Um carro inspirado no ténisAlavanca do modo de marcha remete para o punho de uma raquete de ténis© Notícias ao Minuto
Já lhe falámos aqui no Auto ao Minuto sobre o Renault 5 E-Tech. Por isso mesmo, vamos começar pelo que realmente distingue a variante Roland Garros - as decorações exteriores e interiores inspiradas no mítico torneio de terra batida de Paris (França).
As linhas mestras do modelo neoclássico não são descartado: as formas e formatos são todos idênticos ao de qualquer outro Renault 5 E-Tech. Os grandes detalhes distintivos por fora são as jantes de 18 polegadas em liga leve electro com corte diamantado e o gráfico dedicado Roland Garros na porta dianteira com formas da cruz de Santo André em referência ao recinto do torneio.
Existem quatro cores possíveis e estivemos ao volante de uma unidade em Branco Nacarado com tejadilho contrastante em Preto Estrela. O preto marca também presença nos frisos e nas cavas das rodas.
Por dentro é que a inspiração em Roland Garros se torna mais evidente. Logo ao abrir as portas, há o logótipo Roland Garros nas embaladeiras. Os bancos em tecido reciclado (que não são os mais agradáveis ao toque) têm um padrão gráfico que nos fez lembrar material de ténis e os da frente incluem logótipo Roland Garros no encosto. A terra batida é replicada pela cor dos contornos dos tapetes e pelo tapete de borracha na consola central.
A alavanca para controlar o modo de marcha encontra-se por trás do volante e a sua pega remete para o punho de uma raquete de ténis. Já à frente do passageiro dianteiro encontra-se o logótipo Roland Garros iluminado no tablier.
A conduzirPosto do condutor© Notícias ao Minuto
O Renault 5 E-Tech é um automóvel em que o condutor segue numa posição equilibrada - talvez um pouco mais alta do que seria de esperar para o modelo antes de entrar. O volante achatado em cima e em baixo é ergonómico, embora nos pareça um pouco grosso demais para o carro. O botão de ligar/desligar surge junto do ecrã central, da parte esquerda.
A suspensão, independente em todas as rodas, garante um comportamento equilibrado e suficientemente dinâmico quer em estradas mais sinuosas, quer em autoestrada - embora neste último contexto se sintam algumas oscilações e seja menos refinado. O que não é um problema, visto que não é o seu ambiente primário. Também testemunhámos uma competente capacidade de amortecimento das irregularidades do piso e a precisão e facilidade da direção - que é algo leve. A travagem é linear, mas sentimos que o pedal é um pouco duro.
Encontrámos um automóvel ágil e no qual sentimos sempre que o desempenho é suficiente e entregue de forma célere (mesmo em modo Eco, onde a entrega é mais comedida e a velocidade fica limitada a cerca de 115 km/h). Em modo Sport, parece um pouco mais aguerrido na entrega e solto. O pedal do acelerador é fácil de controlar.
Apesar de não termos nada a apontar no comportamento em autoestradas e em percursos por estradas nacionais e secundárias, a cidade é o ambiente natural do Renault 5 E-Tech, graças às suas dimensões contidas, amortecimento eficaz e manobrabilidade em espaços mais contíguos com um diâmetro de viragem entre passeios de 10,3 metros.
O painel de instrumentos de dez polegadas tem gráficos cativantes e legíveis, com múltiplos modos de exibição (incluindo a navegação em tamanho grande, o que diminui a necessidade de desviar o olhar para o ecrã central).
Os modos de condução predefinidos são três (Eco, Sport e Comfort), havendo ainda a possibilidade de personalizar. A seleção faz-se através do botão Multi-Sense no volante, que contribui também para um toque algo desportivo do referido volante.
Não temos condução One Pedal (apenas o modo D e o modo B com maior potência da travagem regenerativa, em que se sente um claro abrandamento ao tirar o pé do acelerador).
Abundam os apoios à condução: cruise control adaptativo inteligente (particularmente útil em autoestrada, assim como a assistência de manutenção na faixa de rodagem), limitador de velocidade, alerta de ângulo morto, aviso de obstáculo traseiro, câmara de marcha-atrás, sensores de estacionamento, alerta de distância de segurança, aviso e prevenção de saída de via, entre outros.
De mencionar, ainda, uma ferramenta útil para quem conduz: a pontuação da condução Eco Score e Safety Score, acessível através do ecrã tátil central, que dá uma noção do que é possível otimizar na condução.
Autonomia e consumoA bateria de 52 kWh que equipa o Renault 5 E-Tech permite-lhe, segundo a ficha técnica oficial, percorrer até 409 km em ciclo combinado. O consumo combinado WLTP é de 15,1 kWh/100 km.
Ora, a eficiência surpreendeu-nos. Numa viagem em autoestrada com pouco mais de 100 quilómetros de extensão, conseguimos médias em torno dos 15 kWh - usando maioritariamente os modos Eco e B e mantendo uma velocidade abaixo dos 100 km/h, sem ar condicionado.
Com o carro carregado a 100 por cento, gastámos cerca de metade numa viagem entre a zona norte de Lisboa e Évora. O que nos pareceu razoável, tendo em conta o percurso feito maioritariamente em autoestrada.
Quando experimentámos o carregamento rápido, tínhamos a bateria nos 55 por cento. Em cerca de 45 minutos, repusemos até 100 por cento. Como referência, a Renault anuncia a possibilidade de carregar dos 15 aos 80 por cento em meia hora a 100 kW, mas durante a sessão de carregamento não chegámos a atingir essa potência.
Em todo o caso, pareceu-nos um tempo razoável dependendo do uso que se estiver a dar ao automóvel: talvez não seja o ideal esperar 45 minutos durante uma deslocação longa, mas é um tempo que num uso diário normal permite, por exemplo, ir às compras e deixar o veículo a carregar.
Numa condução em percursos mistos, o consumo ronda os 14 kWh/100 km, sendo que em condução citadina cai ainda um pouco mais.
No interiorInterior visto desde a bagageira© Notícias ao Minuto
O interior do Renault 5 E-Tech, para além das particularidades de design alusivo a Roland Garros que já mencionámos, apresenta um espaço relativamente confinado para os passageiros que seguem atrás (em especial para as pernas) e mais razoável para os da frente. A bagageira não é capaz de levar muita carga (277 litros ou 959 litros se os bancos traseiros forem rebatidos).
Na zona do volante, consideramos que a inclusão de uma haste para o modo de marcha numa posição próxima à do limpa para-brisas pode criar alguma confusão, sobretudo quando se está a criar rotinas com o carro. Uma solução que já vem de há algum tempo na Renault, tal como a haste mais abaixo para controlar a multimédia, que também não nos parece ser a solução mais intuitiva possível.
A construção é bem conseguida, embora nem todos os materiais sejam suaves ao toque (em particular o tecido usado nos bancos). As entradas de ar condicionado têm um desenho retangular com uma certa energia retro, assim como os painéis das portas.
O espaço de arrumação inclui um compartimento oculto abaixo do apoio para braços na consola central, porta-copos e um espaço pequeno (por exemplo para o comando do carro) antes da zona de carregamento sem fios para smartphones. Há, também, duas entradas USB na dianteira.
Para controlar o sistema de infoentretenimento e a navegação, temos um ecrã central tátil de 10,1 polegadas openR link, sendo que também há assistente de voz. O sistema de som Arkamys Classic de seis altifalantes foi outra característica com que contactámos e passou com distinção no teste.
É possível ligar smartphones sem fios via Android Auto e Apple CarPlay, há ar condicionado automático, bancos dianteiros aquecidos e ajustáveis eletricamente (incluindo regulação lombar elétrica para o condutor), tal como volante aquecido e filtro de pólen.
Não faltam os comandos físicos e/ou de acesso rápido e intuitivo para funções essenciais ou recorrentes, nem mesmo para a climatização (uma lacuna em tantos carros que conduzimos). De mencionar, ainda, a iluminação ambiente que varia conforme o modo de condução selecionado, num habitáculo que é no geral silencioso.
ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS0-10
ANÁLISE- Identidade muito própria dentro da gama
- Comportamento geral
- Espaço e habitabilidade atrás
- Preço
O Renault 5 E-Tech fica mais potente e versátil pelo mesmo preço de entrada, com as encomendas abertas em Portugal - algumas funcionalidades ficarão disponíveis nas próximas semanas. A gama começará com uma motorização de 110 cv e bateria para 305 km de autonomia.
Bernardo Matias | 15:49 - 08/09/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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