França mergulhou em caos e violência durante protestos. O que aconteceu?
Paris e outras cidades francesas anoiteceram mergulhadas em caos e violência depois de milhares terem saído às ruas no âmbito da jornada nacional de protesto contra o aumento do custo de vida e em apoio à reivindicações dos estudantes do ensino secundário.
O dia de sábado ficou marcado por uma forte mobilização contra o aumento do custo de vida com centenas de milhares nas ruas. No entanto, o dia ficou também marcado por numerosos incidentes em Paris e noutras localidades francesas, incluindo lojas vandalizadas e saqueadas.
Esta manhã, em algumas zonas comerciais do centro de Paris, o cenário era de montras de lojas totalmente destruídas, com vidros espalhados pelas ruas e, em algumas delas, ainda barricadas com contentores, vedações, bicicletas e mobiliário urbano.
Segundo os jornais franceses, que citam fontes policiais, só em Paris foram detidos 855 manifestantes de acordo com o último balanço feito. A Prefeitura de Polícia de Paris assegurou ainda que o trabalho judicial vai continuar, nomeadamente com a análise de imagens de vídeo, que permitirá identificar outros autores de atos violentos.
Note-se que o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, havia adiantado no sábado que as forças de segurança tinham detido mais de 1.200 pessoas durante episódios de violência à margem das manifestações em várias cidades de França. Além das detenções, 150 polícias e gendarmes ficaram feridos.
Vários feridos e um mortoNoutras cidades de França, foram registados pelo menos 10 feridos em Lyon, 12 em Lille, cinco em Dijon e 15 em Rennes. De acordo com a BFMTV, todos se encontram em urgência relativa, sem apresentarem risco de vida imediato.
Houve ainda o caso de um manifestante que ficou com a mão amputada, em Saint-Étienne, no centro de França, na sequência de o lançamento de uma granada por parte das forças policiais.
Saliente-se que este é o segundo caso deste género depois de no início de outubro um adolescente de 15 anos ter perdido a mão em devido a uma granada de atordoamento disparada pela polícia em Lens.
De acordo com a BFMTV, há também a registar uma vítima mortal. A morte é mencionada num relatório das autoridades parisienses e, segundo o que se sabe, trata-se de um manifestante que desmaiou na Boulevard Mangenta. Apesar da assistência prestada, a pessoa acabou por morrer antes de chegar ao hospital. As circunstâncias exatas do desmaio estão a ser investigadas.
Danos em edifícios e incêndiosEm Paris, registaram-se também confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes. A polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar centenas de manifestantes encapuzados e mascarados que arremessavam petardos e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República, ao mesmo tempo que gritavam "Macron, demissão". Para o local foi destacado um forte contingente do corpo de intervenção.
Por toda a França, milhares de pessoas responderam a apelos nas redes sociais para reativar o movimento dos "coletes amarelos", que surgiu em 2018 contra a injustiça social.
O gabinete do ministro do Interior assinalou atos de violência praticados por indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de pilhagem, agressões a agentes policiais, incêndios em mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e órgãos de comunicação social.
Na cidade portuária de Marselha, no sul do país, alguns estabelecimentos comerciais e uma esquadra da polícia municipal sofreram estragos, e manifestantes invadiram por momentos o átrio da Câmara Municipal.
Na sexta-feira, o Presidente Emmanuel Macron reconheceu "o direito constitucional de protestar e de expressão", mas fez um apelo à calma.
"Este direito exige respeito. Respeito pelas pessoas, respeito pelo património e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir", disse.
A polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro de Paris e determinou o encerramento de estações de metro durante o dia de hoje, incluindo as que se situam em redor dos Campos Elísios e nas proximidades do Palácio do Eliseu, do parlamento e de edifícios governamentais.
Nas últimas semanas, França registou milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas, num início de ano letivo marcado por protestos estudantis à escala nacional que estão a condicionar a campanha para as eleições presenciais e a atrair as atenções internacionais.
[Notícia atualizada às 08h57]
800 mil pessoas participaram nos protestos em França. O que aconteceu?Cerca de 800 mil pessoas participaram hoje em protestos por toda a França contra o elevado custo de vida, segundo um balanço final divulgado por várias organizações que convocaram os movimentos.
Lusa | 19:30 - 17/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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