Gaza? Albanese denuncia "mediacídio" de Israel para "ocultar atrocidades"
A relatora especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados, Francesca Albanese, denunciou hoje o "mediacídio" cometido por Israel para "ocultar atrocidades" na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e "minar a possibilidade de documentá-las".
"O que está a acontecer não é acidental, é intencional", declarou Albanese numa conferência de imprensa nas Nações Unidas, na qual participou por videoconferência, uma vez que os Estados Unidos impedem a sua entrada no país.
A especialista falou após a apresentação do relatório "A verdade sob os escombros: os media em tempos de genocídio", no qual se documenta a eliminação sistemática de jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social em Gaza, com o objetivo de "silenciar testemunhos e impedir a documentação de crimes".
Desta forma, definiu como "mediacídio" a destruição sistemática e intencional da "função de serviço público dos media".
Segundo Albanese, Israel matou cerca de 300 jornalistas e trabalhadores da comunicação social na Faixa de Gaza — um dado que atribuiu a fontes da ONU — e destruiu 150 centros e gabinetes de comunicação, o que equivale a 80% das infraestruturas dos media no enclave.
A relatora denunciou também os ataques de soldados e colonos a jornalistas na Cisjordânia e afirmou que a proibição da entrada da imprensa estrangeira em Gaza demonstra a intenção israelita de "ocultar a verdade".
De acordo com a informação que recolheu, Israel levou igualmente a cabo uma operação de censura de notícias e conteúdos na Internet: só em 2024, foram proibidos "mais de 1.600 artigos e censurados mais de 1.100".
Além disso, referiu que se estima que tenham sido removidas das redes sociais milhões de publicações sobre Gaza, em grande parte devido a pedidos de retirada feitos por Israel.
Por outro lado, Albanese acusou meios de comunicação social internacionais de referência de reproduzirem alegações israelitas sem verificação, minimizarem a responsabilidade de Israel e, em diversas ocasiões, equipararem manifestações de solidariedade com vítimas palestinianas a sentimentos contra os judeus.
"Meios de comunicação internacionais de prestígio fazem eco de alegações sem verificar, ocultam a responsabilidade de Israel e, frequentemente, equiparam manifestações de solidariedade com as vítimas de um genocídio a antissemitismo", denunciou.
Por fim, destacou o assassínio do jornalista palestiniano Anas al-Sharif e lamentou a perda de conhecimento sobre o que se passa no terreno no enclave palestiniano, resultante da morte dos profissionais da informação.
Israel declarou a 07 de outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o movimento islamita palestiniano Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, segundo o balanço oficial das autoridades israelitas.
A guerra de retaliação de Israel no enclave palestiniano fez, até agora, pelo menos 74.561 mortos, na maioria civis, e 175.759 feridos - apesar de um cessar-fogo entrado em vigor a 10 de outubro de 2025, após o qual o Exército israelita continuou a abrir fogo sobre civis palestinianos e o número de vítimas continuou a aumentar.
Pelo menos 1.565 palestinianos foram mortos e 5.640 feridos na Faixa de Gaza desde o início da trégua, segundo números das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
A guerra no enclave palestiniano causou, além disso, uma catástrofe humanitária, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.
Três anos depois, 1,9 milhões de habitantes de Gaza continuam deslocados, e cidades inteiras, bairros e ruas foram completamente destruídos, estimando-se que haja ainda cerca de 10 mil mortos soterrados sob os escombros.
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