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Habitação e custo de vida? Protestos, reações (e acampadas): A cronologia

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Minuto Fonte Externa
18 de outubro de 2026 • 6 min de leitura
Habitação e custo de vida? Protestos, reações (e acampadas): A cronologia

A Europa está mergulhada em manifestações contra o aumento do custo de vida e pela habitação. Portugal não foi exceção e ontem, sábado, 17 de outubro, foram muitos aqueles que saíram à rua no Porto, em Coimbra, no Funchal ou em Lisboa. 

 

Os protestos nas duas maiores cidades do país culminaram com acampadas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto. 

Mas, afinal, o que aconteceu?

O dia começou com várias manifestações da CGTP onde se reivindicava por aumentos salariais e contra o aumento do custo de vida. 

Em Lisboa, o desfile partiu ao som de gritos de ordem "O povo não aguenta, o custo de vida aumenta!", "Não podemos aceitar, empobrecer a trabalhar", "Para o país avançar, salários a aumentar", "Salários de miséria, rendas a subir, o povo não aguenta, está na hora de agir".

Por seu turno, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, defendeu o controlo dos preços e acusou o Governo de não sentir as dificuldades de quem trabalha, reclamando um aumento dos salários.

"Que se balize os preços, que se balize as taxas de juros. Não podemos é ter uma política que continua a condicionar a vida de todos nós, daqueles que menos têm", disse, em declarações aos jornalistas no arranque da manifestação da central sindical em Lisboa, que se iniciou no Cais de Sodré e terminou no Rossio.

Esquerda acusa Governo de ignorar dificuldades

Durante a manifestação, os partidos de Esquerda acusaram o Governo de ignorar as dificuldades na habitação e custo de vida, com o Livre a denunciar desprezo, o PCP a acusar o executivo de alheamento e o Bloco de Esquerda a considerar Montenegro desesperado.

A co-porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes defendeu a adoção de medidas para a habitação que "promovam o arrefecimento dos mercados", criticando o caminho seguido pelo Governo.

Já o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou ver na adesão à manifestação uma "grande força para abrir um novo rumo para o país" e responsabilizou particularmente o primeiro-ministro "pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas" presentes no protesto.

Por sua vez, o coordenador do BE, José Manuel Pureza, salientou que se mobilizou hoje "gente que não é egoísta e que vem para a rua lutar pelos seus direitos e pelos direitos dos outros, e que sabe que a vida com o preço da habitação como está é um exercício de aflição".

"Acampada" pela habitação no Rossio 

Pelas 17h00 de sábado, os vários manifestantes começaram a montar tendas no Rossio, em Lisboa. 

Convocado sob o lema "Não dá mais? Então monta a tua tenda!", o protesto pela habitação surge na sequência de outros realizados nos últimos dias e teve início após a manifestação organizada pela CGTP por aumentos salariais e contra a subida do custo de vida.

Aos gritos "abaixo a especulação", "queremos casa e trabalho" e cartazes com insultos ao presidente da Câmara de Lisboa e ao primeiro-ministro, milhares de pessoas permaneciam ao inicio da noite no Rossio no protesto conhecido como "acampada pela habitação".

Nos cartazes leem-se frases como "não abram cabeças, abram habitação", numa referência à intervenção policial num protesto semelhante no Porto, "abaixo a especulação" e também insultos ao chefe do Governo, Luis Montenegro, e ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

Note-se ainda que horas depois do início da ação, mantinham-se dezenas de tendas no local, apesar de menos manifestantes do que a meio da tarde.

No entanto, o eco dos protestos era igual pouco antes das 22h00, com vários manifestantes a expressarem a promessa de continuar, como constatou a Lusa no local.

A história de Teresa Faleiro

Maria Teresa Faleiro segurava com as duas mãos um cartaz de cartão para denunciar: "Tenho 81 anos e estou a ser despejada". Juntou-se à manifestação da CGTP em Lisboa contra o custo de vida para deixar um alerta pessoal e coletivo.

De camisa preta, calças brancas, óculos escuros e um chapéu azul e verde para se proteger do sol, a inquilina elege a habitação como o maior problema de política pública em Portugal e expõe o seu caso pessoal como exemplo do que afirma.

"Houve um julgamento e a juíza deu 30 dias para abandonar a casa. Vou tentar recorrer, mas não tenho esperança nenhuma", lamenta, em declarações à Lusa durante o desfile da central sindical.

A reformada mora em Lisboa há seis décadas. Os últimos 22 anos foram passados na mesma habitação, na Calçada de Santana, freguesia de Arroios. Aos 81 anos, afirma estar em risco de perder a casa, porque os senhorios não querem renovar o contrato.

A inquilina paga 724 euros e 11 cêntimos de renda por mês e afirma que sempre pagou as rendas. O problema, diz, decorre do fim do contrato.

E no Porto?

O movimento pela habitação que, desde o passado sábado, tem ocupado a Praça D. João I, no Porto, decidiu voltar a acampar no local. A decisão foi tomada durante uma Assembleia Popular, onde os manifestantes reforçaram a intenção de permanecer no local até que as reivindicações sejam atendidas.

"Ficamos aqui ou não?", perguntou, durante a Assembleia Popular da Habitação, uma das manifestantes ao microfone no centro da praça onde se concentram centenas de pessoas que, em uníssono e em alta voz, gritaram "sim".

"Vamos ficar hoje, amanhã e até quando for preciso, não vamos a lado nenhum, não nos vergarão", garantiram.

Aliás, este domingo, pelas 04h00, cerca de 300 pessoas ainda permaneciam na Praça D. João I, sem intenção de desmobilizar e na esperança de não ter "nenhuma visita da polícia". 

"A nossa intenção é ficar por aqui. Temos um dia longo amanhã, cheio de atividades e eventos. Esperamos não ter nenhuma visita da polícia, esperamos muito menos que essa visita seja violenta", afirmou Mariana Guedes, porta-voz do Movimento pela Habitação.

Manifestantes continuam na Praça D. João I no Porto

Cerca de 300 pessoas permaneciam hoje, pelas 4h, na Praça D. João I, no Porto, sem intenção de desmobilizar e na esperança de não ter "nenhuma visita da polícia", disse à Lusa uma porta-voz do movimento pela habitação.

 Lusa | 06:23 - 18/10/2026

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