Habitação? Luísa Salgueiro critica atuação do Governo: "Péssima"
A presidente da Câmara de Matosinhos considerou hoje que a atuação do Governo PSD/CDS-PP perante as manifestações de protesto pela habitação tem sido "péssima" e que tem de "deixar cair" a lei do arrendamento.
"Tem sido péssima [a atuação do Governo]", atirou Luísa Salgueiro, eleita pelo PS, em declarações à Lusa a propósito das manifestações pela habitação que decorrem por todo o país, sobretudo nas cidades do Porto e de Lisboa.
A autarca, que já assumiu a liderança da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), assinalou que "nenhum cidadão normal" consegue entender o "silêncio incompreensível" dos últimos dias do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Já hoje, durante o primeiro dia de debate sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027 na Assembleia da República, Montenegro recusou ter estado em silêncio perante as manifestações, contrapondo que falou nos dois dias seguintes aos protestos de rua.
"Tem de fazer mais do que dizer. Primeiro tem que deixar cair a proposta [sobre a lei do arrendamento] que tem na Assembleia da República que vai prejudicar muitas pessoas que estão em situação de vulnerabilidade", defendeu.
Luísa Salgueiro, a cumprir o seu último mandato, vincou que é a favor da defesa da situação dos senhorios, porque se não houver segurança por parte dos senhorios eles não vão arrendar as suas casas, mas isso não significa que se desproteja quem precisa de arrendar uma casa.
"Não é normal que, nesta fase de tanta dificuldade, se esteja a pedir um número de três rendas por antecipação e uma caução sem limite. Não é normal que, ao fim de dois meses sem pagamento de renda, se possa despejar sumariamente", destacou.
Dizendo que não se pode proteger só uns e desproteger os outros, a presidente desta autarquia do distrito do Porto vincou que, neste momento, o Governo está a tentar responder a uma crise com uma medida que é ao invés daquilo que devia acontecer, porque protege os senhorios e desprotege os inquilinos ou possíveis inquilinos.
A autarca ressalvou que as pessoas que, neste momento, estão a acampar por uma habitação mais justa e digna são uma ínfima parte daquelas que sentem problemas no acesso à habitação.
Em sua opinião, eles representam uma imensidão de pessoas jovens e mais velhas que ou não conseguem aceder à habitação ou têm receio de perder a sua habitação.
Segundo a socialista, é "imperioso" que o país perceba a dificuldade que é sentida por muitas pessoas e que tenha uma resposta para lhes dar.
Portugal precisa de responder à crise da habitação e, para isso, tem de construir e criar mecanismos fiscais que aproximem as pessoas das casas que já existem e estão fechadas, entendeu.
Luísa Salgueiro contou que se tivesse uma acampada à porta da Câmara de Matosinhos ia conversar com as pessoas porque ouvir e chamar as pessoas para a solução também é importante.
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