Pular para o conteúdo
Publicidade

Hilaria sobreviveu a 73 cancros da pele. Agora, espera reconstruir nariz

M
Minuto Fonte Externa
30 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Hilaria sobreviveu a 73 cancros da pele. Agora, espera reconstruir nariz

Uma mulher brasileira de 62 anos já sobreviveu a 73 cancros da pele. De facto, Hilaria Mireski vive há quase três décadas com a síndrome de Gorlin-Goltz, uma condição rara e hereditária que está associada à alteração de mecanismos que regulam o crescimento celular. Agora, a residente de Itaiópolis, em Santa Catarina, aguarda a reconstrução do nariz, que foi consumido pela doença.

 

Há quase 10 anos que Hilaria é submetida a quimioterapia. Respira pela boca, não distingue o sal do açúcar e, quando come carne, sente que está a mastigar borracha. A brasileira tinha 33 anos – e duas filhas a entrar na adolescência – quando se viu obrigada a acorrer a um dentista, que lhe retirou um quisto. Contudo, ao reparar na sua pele, encaminhou-a para um dermatologista. Três biópsias confirmaram o diagnóstico de carcinoma basocelular, o tipo mais comum de cancro da pele. Ainda assim, as lesões não paravam de aparecer. Em três décadas, Hilaria fez 87 biópsias, de acordo com o g1.

A mulher foi submetida a radioterapia de novembro de 1998 até dezembro de 2016, pelo que vive com o sentimento de que não viu as filhas crescer como gostaria.

Quando o corpo de Hilaria deixou de aguentar, os médicos decidiram investigar o porquê de a brasileira ter tantos tumores. Foi nessa altura que surgiu o diagnóstico de síndrome de Gorlin-Goltz, ao qual se seguiu um ciclo e seis sessões de quimioterapia, a cada 21 dias. Depois, foi-lhe prescrito um comprimido. Mesmo com as terapêuticas, os tumores avançaram. Isto porque, tendo em conta que todas as células têm a mesma alteração, cada tumor é um tumor novo. Significa isto que Hilaria teve 73 vezes o mesmo tipo de cancro.

A síndrome de Gorlin-Goltz está presente desde a primeira célula do embrião. Na maioria dos casos, é herdada de um dos pais, e cada filho tem 50% de hipóteses de ter a condição. No entanto, também pode surgir numa criança cujos pais não são portadores. Além da herança celular, a radiação ultravioleta acrescenta mutações. Hilaria viveu numa quinta e varreu ruas durante uma década, o que pode explicar o número de tumores que acumulou.

As lesões assemelham-se a uma ferida que não cicatriza e vai alastrando, acabando por destruir o tecido à volta e por alcançar vasos sanguíneos e nervos. Quando não é possível operar, resta a radioterapia. Cada região pode ser alvo de doses específicas que, no caso de Hilaria, já se esgotaram. O comprimido que ingere todas as noites reduz o risco de novos tumores, mas não impede a sua ocorrência.

A doença devorou metade do nariz de Hilaria. Quinze dias depois, a outra metade desfez-se, e um dos olhos foi retirado no mesmo dia. Cada vez que se aproximava do hospital, sentia pânico. Durante um ano e meio, tentou disfarçar com gaze nas cavidades. Agora, aguarda a reconstrução facial. Um cirurgião plástico contactou-a através da rede social Instagram e pediu-lhe exames, cujas guias ainda está à espera. O nariz será reconstruído e será colocada uma prótese na zona do olho. No entanto, a intervenção não terá efeito na síndrome, já que uma terapia capaz de corrigir os genes ainda não existe.

Peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Para onde vão os donativos?

O peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro decorre até domingo, dia 1 de novembro, e mobiliza 21.600 voluntários. Saiba para onde vão os donativos.

Notícias ao Minuto | 11:19 - 30/10/2026

Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.

Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original

Publicidade

Gostou? Compartilhe

Mande para os amigos ou publique nas suas redes.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda.

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.