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Mais de 150 pessoas protestam em Leiria contra crise da habitação

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Mais de 150 pessoas protestam em Leiria contra crise da habitação

Mais de 150 pessoas juntaram-se hoje no espaço da 'fonte luminosa', em Leiria, protestando contra o custo de vida em Portugal e a dificuldade em ter uma casa.

 

Além dos cartazes exibidos, o porta-voz de Leiria da plataforma Casa para Viver, António Gonçalves questionou "como é que a malta jovem vai constituir família se está a partilhar quarto?"

Por isso, é preciso "estar na rua a exigir respostas".

"Não é nas redes sociais e não é a destilar ódio. Não podemos ter medo de lutar, temos de ter solidariedade para com quem está em Lisboa, no Porto, em Coimbra ou em Braga", reforçou, criticando a atuação da polícia sobre os acampados, considerando que foi usada "violência excessiva" numa manifestação pacífica.

O manifestante apelou ainda a todos os cidadãos para que "venham para a rua" para "lutar pelos seus direitos".

Em declarações aos jornalistas, António Gonçalves, reforçou que "as pessoas estão na rua pela habitação, pelo custo de vida, por tudo o que têm sofrido nestes últimos tempos".

Os portugueses enfrentam "um problema não só da habitação", mas também "de violência policial em manifestantes pacíficos".

"E estamos encarados agora com uma coisa muito negativa que nos assombra, chamada Orçamento do Estado", acrescentou.

Segundo o porta-voz, esta nova concentração, a segunda uma semana depois, pretende passar a mensagem de que a "luta tem de ser descentralizada".

"Temos de estar aqui a exigir que as soluções de habitação não se apliquem só a Lisboa ou ao Porto, apliquem-se a Portugal inteiro e para perceberem que isto não é uma cidade-dormitório. Não estamos adormecidos", reforçou.

António Gonçalves notou que "há pessoas que vivem e trabalham aqui e não conseguem pagar as suas contas no final do mês e o Governo não está interessado em resolver esses problemas".

Leiria está "na rua para demonstrar que aqui" também se luta, sublinhou.

"Leiria foi dos distritos a nível nacional que teve um maior aumento de preços. E todas as pessoas que aqui estão hoje vão dizer exatamente o mesmo. Estamos a falar de apartamentos T2 nas freguesias periféricas - não gosto de usar esse termo - de valores, por exemplo, 850 euros", revelou.

São casas "com uma sala e uma cozinha juntas, com 40 metros quadrados, por exemplo, construídos à pressa sem grande qualidade", acrescentou António Gonçalves

"Estamos a falar de apartamentos velhos, em condições muito complicadas, onde vivem se calhar duas, três famílias aqui no centro. Durante a tempestade, Kristin, fiz algum voluntariado e vi as situações em que as pessoas viviam", constatou.

O manifestante, que vive numa casa arrendada, admitiu que teve "a sorte de fazer um contrato de arrendamento ainda em 2021, onde os preços já eram elevados", mas começou por pagar 550 euros de renda.

"Agora, quando vou sair, já tinha sido aumentada várias vezes e já está a 70 euros mais alta do que o original", afirmou, ao referir que o próximo inquilino já pagará um valor de 850 euros.

António Gonçalves sublinhou: "Não me parece que o salário de um português médio tenha aumentado 300 euros nos últimos 5 anos."

Por isso, as pessoas "têm de lutar", porque o "português sabe que não se vive bem em Portugal", onde "dois terços dos portugueses recebem 1.000 euros ou menos".

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

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