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Matemática obrigatória até ao 12.º ano: Associações apoiam, mas...

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Minuto Fonte Externa
5 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Matemática obrigatória até ao 12.º ano: Associações apoiam, mas...

Associações de matemática aplaudem a decisão do Governo de tornar a disciplina obrigatória até ao 12.º ano, mas pedem uma discussão profunda sobre a aplicação da medida, que alertam não garantir por si só melhores aprendizagens.

 

O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, anunciou na quarta-feira no parlamento a intenção de tornar a disciplina de matemática obrigatória até ao 12.º ano, independentemente do curso que os alunos escolham.

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), Eugénio Rocha, sublinhou que a associação não foi consultada sobre a proposta apresentada pelo Governo, mas considerou fundamental que o setor seja ouvido durante o processo de consulta pública que decorre até ao final do ano.

Também contactado pela Lusa, o presidente da direção da Associação de Professores de Matemática (APM), Joaquim Pinto, salientou que a associação desconhece os prazos e os moldes exatos da matriz curricular que irá a consulta pública.

O dirigente defendeu que, tal como a escolaridade é obrigatória até ao 12.º ano, também a Matemática o deve ser, sublinhando que a forma como a medida será aplicada exige uma discussão profunda.

Para a SPM, o princípio de generalizar a disciplina a partir do ano letivo de 2028/2029 coloca desafios exigentes, nomeadamente ao nível do número de professores qualificados e da definição rigorosa dos programas.

"Tornar a matemática obrigatória para todos não significa necessariamente ensinar a mesma matemática a todos, nem garante por si só melhores aprendizagens", apontou Eugénio Rocha.

O dirigente alertou para o risco de se encarar esta medida como uma solução mágica para os maus resultados que os alunos portugueses têm obrido em testes internacionais como o PISA - exames que avaliam o desempenho de alunos de 15 anos em áreas como a leitura, a ciência e a matemática.

Para Eugénio Rocha, adicionar mais anos de escolaridade não resolve por si só as falhas de aprendizagem anteriores.

Na mesma linha, o presidente da APM lembrou que existem diferentes modelos internacionais, apontando exemplos de países como Singapura, Austrália, Estónia ou Canadá, onde há várias disciplinas de matemática diferentes em simultâneo.

Joaquim Pinto defendeu que os alunos de hoje precisam de estar preparados para o mundo tecnológico, frisando que não existe tecnologia sem matemática.

Contudo, sublinhou que a reforma tem de acautelar as especificidades de cada via de ensino, ponderando de forma distinta as necessidades dos alunos de humanidades e dos cursos científicos, em vez de aplicar um modelo uniforme.

As duas associações sublinham a necessidade de adaptar os programas aos cursos profissionais e de focar o ensino na capacidade de raciocínio e na resolução de problemas, evitando reduzir a matéria a meras receitas de literacia financeira ou digital.

No que respeita ao impacto nas classificações e ao acesso ao ensino superior, tanto a SPM como a APM consideram que a obrigatoriedade transversal não gera uma injustiça direta de avaliação, apontando o exemplo de outras disciplinas obrigatórias.

Ambas reforçam que o sucesso da medida dependerá estritamente da qualidade e da racionalidade com que os novos programas forem desenhados e lecionados, bem como da garantia de professores suficientes no terreno.

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Lusa | 14:10 - 05/11/2026

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