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Milhares pediram em Lisboa políticas de habitação mais justas

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Minuto Fonte Externa
21 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Milhares pediram em Lisboa políticas de habitação mais justas

Na quarta noite de manifestações na Praça do Rossio, em Lisboa, alguns milhares de pessoas pediram políticas de habitação mais justas e aprovaram o regresso das tendas que foram retiradas pela PSP.

 

Pelas 20h38 de terça-feira, a assembleia popular que se foi reunindo depois das 19h00 decidiu, por braço no ar dos presentes após pergunta de "sim" ou "não" dos organizadores, que na quarta-feira à noite voltarão a acampar em tendas na Praça do Rossio, depois de, na madrugada de terça-feira, as tendas terem sido retiradas pela PSP, numa operação em que foram detidos 55 manifestantes.

O protesto na noite de terça-feira encheu o Rossio de palavras de ordem, cartazes a assegurar que "Lisboa não está à venda" e tem "lisboetas reais", críticas à polícia por ter retirado as tendas que ocupavam o espaço desde sábado e um período de microfone aberto para intervenções livres, que antecederam um momento musical com Ana Moura, Nenny, Tim e Vitorino.

"A acampada vai continuar até ser decidido em assembleia que não tem mais acampada. Até onde a gente vai? Eu acho que até às últimas consequências no sentido de que ficaremos, permaneceremos, se o Governo não ouvir os manifestantes", disse Priscila Valadão, uma das porta-vozes do protesto.

"Alguma coisa está errada. Porque uma multidão dessas não surge do nada. Existe uma insatisfação real e é preciso lidar-se com ela. O caos implantado não é por parte dos manifestantes acampados. O caos que está implantado é a escolha deliberada de enriquecer uns em detrimento de outros", considerou.

Rui e Cristina são "uns privilegiados" por terem casa própria e uma vida confortável, mas vieram por todos os que não têm uma vida digna e porque têm um filho que acabou de se formar.

"Já era mau na nossa altura, tivemos que fazer sacrifícios", mas "isto agora está péssimo para os jovens. Péssimo", disse Rui à agência Lusa, salientando que tem um comércio num prédio "onde os quartos são alugados a 500 euros".

"Onde é que um jovem licenciado com um mestrado, que traz para casa pouco mais que o salário mínimo - os que têm emprego - pode pagar um quarto com 500 euros? Comem o quê? Vestem o quê? Não têm uma vida autónoma, uma vida digna de um ser humano", considerou.

Este é o caso de Mafalda, estudante, que vive atualmente num quarto por um valor "pouco justo", mas que um dia espera ter uma casa e constituir família.

"Não vou conseguir se as coisas continuarem assim, por isso, estou aqui", disse, exibindo um cartaz onde se descreve como uma "arruaceira, com muito orgulho".

"Se arruaceira significar lutar pelos direitos da habitação, pela diminuição do custo de vida, então tenho muito orgulho em estar aqui e estarei aqui até termos alguma solução", acrescentou.

Mafalda não vai acampar, mas irá aparecer um bocadinho todos os dias: "Espero que ouçam aos gritos da rua, eu espero que revertam a nova lei do arrendamento e que tragam soluções", disse.

Já Miguel juntou-se à manifestação em solidariedade com os eventos que aconteceram no Porto, onde a intervenção da polícia causou dezenas de feridos.

"Vendo como os eventos se desencadearam, acho que é importante a nossa geração aparecer cá e dar uma demonstração de apoio", salientou.

Destacando que o problema da habitação não é unicamente português e que a crise habitacional na Europa está a levar os Governos a testar políticas, como os limites nas rendas e a criação de casas públicas, Miguel defendeu que esquerda e direita têm de reconhecer que se trata de uma causa universal.

"E pronto, haver um maior trabalho conjunto dos partidos que estão agora no poder para poder chegar a algumas conclusões", defendeu, considerando que "é um processo difícil, que não tem uma solução fácil e vai demorar a resolver problemas que são estruturais".

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10 deste mês, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Na madrugada de terça-feira, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas, mas que serão ouvidas hoje por um juiz.

Manifestantes voltaram ao Rossio (e até Ana Moura cantou). As imagens

Milhares de manifestantes voltaram às ruas em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Faro em protesto pela habitação. Na capital e na Invicta, houve atuações musicais, incluindo Ana Moura e Nenny.

Notícias ao Minuto, Lusa | 00:10 - 21/10/2026

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