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Polícia identifica responsáveis marroquinos a dar instruções a migrantes

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Minuto Fonte Externa
5 de novembro de 2026 • 3 min de leitura
Polícia identifica responsáveis marroquinos a dar instruções a migrantes

A polícia nacional espanhola identificou dois altos responsáveis de segurança marroquinos que aparecem em vídeos do grande fluxo migratório ocorrido em finais de julho em Ceuta a dar instruções aos migrantes perto de uma passagem fronteiriça.

 

Os dois identificados são Mohamed El Oualid, presidente da polícia da região de Tetuão, e Abdel Fattah El Sayed El Radi, supervisor-geral da região de M'diq-Fnideq (Rincón-Castillejos), que foi o epicentro da crise, segundo um relatório enviado ao Tribunal Nacional de Espanha e citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O serviço de inteligência e contraterrorismo da polícia nacional de Espanha, o Comissariado Geral de Informação, localizou 73 vídeos dos dias das entradas em massa de migrantes irregulares a partir de Marrocos, sendo que o relatório em causa analisa cinco desses vídeos.

De acordo com o documento, o presidente da polícia de Tetuão aparece, num dos vídeos, "a dar instruções a vários migrantes, a gesticular com o braço direito e a apontar na direção em que devem ir".

A polícia classifica os dois suspeitos como estando "no mais alto escalão da cadeia de comando operacional do aparelho de segurança" das autoridades marroquinas e garante que vai continuar a analisar o material para "determinar o papel desempenhado pelos identificados nos eventos, e para identificar os restantes colaboradores que aparecem nos vídeos e a sua estrutura de comando".

O caso aconteceu entre 30 e 31 de julho, em Ceuta, o enclave espanhol situado no norte de África, quando entraram no território mais de 70 mil migrantes irregulares provenientes de Marrocos.

A crise, que provocou mais de 140 mortos e foi vista como uma instrumentalização de migrantes por Marrocos, desencadeou também uma crise diplomática na Europa.

Vários países europeus reagiram, pedindo a suspensão de Espanha do espaço Schengen, onde há livre circulação de pessoas na Europa, para impedir a entrada dos migrantes marroquinos no continente.

O Governo espanhol manteve sempre que não havia quaisquer indícios a apontar para o envolvimento das autoridades marroquinas.

Na terça-feira, o presidente de Ceuta acusou Marrocos de ter "planeado, preparado e executado" a entrada na cidade de cerca de 100.000 pessoas no final de julho, lamentando a "descarada submissão" de Madrid ao país vizinho perante esta situação.

Juan Jesús Vivas (PP), que falava numa conferência de imprensa para fazer o balanço dos três meses decorridos desde os acontecimentos de 30 e 31 de julho, , concluiu que Marrocos "esteve por trás" da operação e lamentou que o Governo espanhol não tenha mobilizado "todos os meios necessários" para travar a "invasão".

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Lusa | 06:34 - 05/11/2026

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