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Principal partido árabe vai apoiar um governo da oposição em Israel

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Minuto Fonte Externa
5 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Principal partido árabe vai apoiar um governo da oposição em Israel

ALista Unificada, principal formação israelita de maioria árabe, anunciou hoje o apoio ao centrista Gadi Eisenkot, rival de Benjamin Netanyahu, para formar o próximo Governo.

 

Em comunicado, a Lista Unificada disse que vai transmitir hoje à noite ao Presidente Isaac Herzog a "decisão de recomendar que Gadi Eisenkot seja encarregado de formar Governo".

Trata-se de uma "resposta ao apelo popular com vista a impedir o regresso ao poder [do primeiro-ministro cessante] Netanyahu e do seu executivo", justificou, citada pela agência francesa AFP.

Herzog iniciou o processo de audição dos partidos que conquistaram lugares no parlamento nas eleições de 27 de outubro, em que nenhum bloco político conseguiu uma maioria para governar sem alianças.

O chefe de Estado tem até 11 de novembro para escolher quem considera em melhor posição para reunir apoios para formar um novo executivo, o que passa geralmente pelo maior número de recomendações dos partidos.

Antes de a Lista Unificada ter anunciado o apoio a Eisenkot, o partido ultraortodoxo Judaísmo Unificado da Torá (JUT), que apoiava Netanyahu há três décadas, recusou recomendá-lo perante Herzog, optando por se abster.

Este desaire, relacionado com as tensões em torno da questão do recrutamento militar dos estudantes religiosos — ao qual os partidos ultraortodoxos se opõem categoricamente —, enfraquece as hipóteses de Netanyahu ser mandatado para formar o próximo executivo.

Em contrapartida, Eisenkot, que encabeça um amplo bloco de oposição, beneficia, assim, de um segundo apoio precioso entre as formações de maioria árabe, após o da formação Raam (acrónimo hebraico de Lista Árabe Unida).

"Estendemos a mão para apoiar os esforços" de Eisenkot e "faremos o que estiver ao nosso alcance para afastar o Governo de Benjamin Netanyahu", declarou o líder da Raam, Mansour Abbas, após o encontro com o Presidente.

São necessários pelo menos 61 deputados para alcançar a maioria no Knesset, o parlamento israelita.

O bloco de Netanyahu obteve 53 assentos nas eleições, contra 48 da aliança de Eisenkot.

Com a abstenção do JUT, o número de apoios declarados ao primeiro-ministro cessante desce para 46, enquanto Eisenkot contabiliza 67.

Herzog prevê concluir as consultas hoje à noite, embora não ponha de parte a possibilidade de as prolongar.

O candidato indigitado terá 28 dias para tentar formar Governo, um prazo que pode ser prorrogado por 14 dias.

Em caso de fracasso, será nomeada outra pessoa. Se o impasse se mantiver, serão convocadas novas eleições.

Embora o campo anti-Netanyahu surja como favorito, vários dos seus dirigentes opõem-se a qualquer aliança com os partidos árabes.

Numa sociedade traumatizada pelo ataque de 07 de outubro, aceitar o apoio dos palestinianos de Israel — designação também dada aos árabes israelitas, que representam cerca de 20% da população — corre o risco de melindrar uma parte do eleitorado judeu.

Mesmo que seja indigitado, Eisenkot enfrentará por isso um quebra-cabeças para constituir uma maioria sem provocar o desmantelamento do bloco da oposição no caso de uma aliança formal com as formações árabes.

Uma opção seria a constituição de um Governo minoritário apoiado indiretamente pelos votos das formações árabes no Knesset.

No entanto, até essa hipótese é rejeitada por um dos pilares do bloco de oposição, o nacionalista Avigdor Lieberman.

Netanyahu está consciente destas hesitações e tem feito repetidos ataques contra os partidos árabes, que apresenta como "apoiantes do terrorismo" com intenções de "islamizar Israel".

O primeiro-ministro insistiu ainda nas alegações de fraude eleitoral, acusando os partidos árabes de terem comprado votos com dinheiro do Qatar.

As autoridades eleitorais negaram qualquer irregularidade suscetível de alterar o resultado do sufrágio.

Segundo a imprensa, Herzog está a trabalhar nos bastidores para a formação de um Governo de união nacional que reúna os partidos judeus sionistas, o que excluiria as formações árabes e ultraortodoxas.

[Notícia atualizada às 16h12]

Leia Também: Netanyahu perde apoio de partido ultraortodoxo em Israel

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