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Vásquez, Djaimilia Pereira de Almeida e Joana Bértholo no Monte Brasil

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Minito Fonte Externa
14 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Vásquez, Djaimilia Pereira de Almeida e Joana Bértholo no Monte Brasil

Juan Gabriel Vásquez, Djaimilia Pereira de Almeida e Joana Bértholo são alguns dos nomes que integram a primeira edição do Monte Brasil – Festival Internacional de Literatura e História, que decorre em Angra do Heroísmo, nos Açores.

 

"É um festival internacional de literatura e história e nisso distingue-se da generalidade dos outros festivais portugueses. E porquê? Porque Angra [do Heroísmo] é uma cidade classificada como Património Mundial [da UNESCO] não em função da sua arquitetura, das suas tradições, ou, como outros lugares dos Açores, por exemplo, do seu vinho, mas em função do seu papel da história", afirmou o escritor Joel Neto, presidente da Dois Caminhos – Associação Para a Promoção das Artes e da Cultura, que organiza o evento.

O festival, que decorre de 27 de novembro e 06 de dezembro, tem como tema "À descoberta da identidade", assinalando os 50 anos da autonomia dos Açores, celebrados em 2026, e os 600 anos da descoberta do arquipélago, que se comemoram em 2027.

Segundo Marta Cruz, da associação Dois Caminhos, está prevista a participação de "cerca de uma centena de autores, historiadores, narradores orais, professores, agentes culturais, coletivos, artistas e leitores".

Entre eles, destacam-se Juan Gabriel Vásquez, "aclamado e premiado romancista, jornalista e tradutor que é hoje um dos nomes cimeiros da literatura colombiana", autor dos livros "Os Informadores" e "O Barulho das Coisas ao Cair", e a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, autora de "Esse Cabelo", distinguida como o Prémio Oceanos em 2019, com o livro "Luanda, Lisboa, Paraíso".

Participam ainda os escritores João de Melo, Rui Couceiro, Joana Bértholo, Adélia de Carvalho, Pedro Almeida Maia, Luís Corte-Real, Inês Bernardo, André Simões e Rita da Nova e a narradora oral galega Charo Pita.

A programação conta também com o historiador de arte Vítor Serrão, da historiadora Irene Flunser Pimentel e do jornalista José Pedro Castanheira.

"São nomes que mostram bem a dimensão internacional e a diversidade que nós pretendemos dar ao festival Monte Brasil e o esforço que a Dois Caminhos pretende continuar a fazer para promover a literacia na Terceira e nos Açores e trazer a Angra do Heroísmo painéis quão ecléticos e inesquecíveis quanto possível", salientou Marta Cruz.

O festival conta com uma feira do livro, lançamentos de livros, conversas com escritores e historiadores, visitas de escritores a escolas e uma cabine para gravação de leituras em vinil.

O evento apresenta também música, teatro, declamação de poesia e exposições de fotografia.

Haverá duas leituras públicas, uma do livro "Ilhas Desconhecidas", de Raúl Brandão, publicado há 100 anos, que ocorrerá em todas as escolas da ilha Terceira, e outra do livro infantil "As Aventuras de Pinóquio", do italiano Carlo Collodi, para assinalar o bicentenário do seu nascimento, que terá lugar numa unidade hoteleira.

Joel Neto propõe a assinatura de um protocolo para a federação das leituras públicas de Angra do Heroísmo, alegando que é "provavelmente a cidade portuguesa com mais leituras públicas per capita".

"Aquilo que nós propomos é federar todas estas literaturas, assinar um protocolo e reclamar para Angra o título de Cidade da Leitura", explicou.

Na Praia da Vitória, segundo concelho da ilha Terceira, é organizado, em outubro, há mais de duas décadas, o festival literário Outono Vivo, mas o presidente da associação Dois Caminhos entende que são "propostas muito distintas".

"Eu penso que os dois eventos são bastante complementares. E, aliás, sublinho a nossa disponibilidade e o nosso interesse em que venham a ser desenvolvidas parcerias entre os dois eventos, inclusive com o livreiro, seja ele qual for, que estiver encarregado da feira do livro do Outono Vivo", apontou.

O município de Angra do Heroísmo, principal parceiro financeiro do festival Monte Brasil, vai construir uma estátua de homenagem a Fernando Pessoa, que passou nove dias na cidade natal da sua mãe, onde terá criado o seu primeiro heterónimo aos 13 anos.

"Teremos uma escultura que criará pela primeira vez a personificação daquilo que foi o primeiro heterónimo de Fernando Pessoa, Eduardo Lança", revelou o vice-presidente do município Guido Teles.

Quanto ao festival, o autarca considerou que "é um projeto com potencial para crescer, consolidar-se no programa cultural açoriano e nacional e reforçar a projeção de Angra do Heroísmo enquanto cidade de cultura, de conhecimento e de encontro".

A generalidade dos eventos é de entrada gratuita e a maioria decorre no Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo, onde também será montada a feira do livro.

Com um orçamento superior a 41 mil euros, o festival é apoiado pelo município de Angra do Heroísmo, pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e pelo Governo Regional dos Açores, contando ainda com a colaboração de outras entidades e patrocínios privados.

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