Vereadores do PSD dizem que "há falta de rigor" na Câmara de Leiria
Os três vereadores eleitos pelo PSD na Câmara de Leiria afirmaram hoje que "há falta de rigor" na autarquia de maioria socialista, exemplificando com os erros "constantes" nas instruções dos concursos de obras.
"Durante este mandato temos vindo a perceber que as coisas muitas vezes não funcionam bem. Há constantes erros na forma como a Câmara faz os seus concursos, muitas vezes mal fundamentados. Os processo são muitas vezes mal instruídos e nós chamamos a atenção para isso", denunciou Nuno Serrano, numa conferência de imprensa que pretendeu fazer o balanço de um ano após a tomada de posse das eleições autárquicas.
O vereador social-democrata criticou que, por vezes, sejam confrontados com documentos para aprovar, que depois vão ser alterados, porque se está a "aprovar coisas que não é aquilo que está na documentação" que lhes foi entregue.
Segundo precisou, a informação chega incorreta e, em vez do ponto ser retirado para ser depois votado com as correções, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), manda votar e diz que depois se altera. "Não sabemos como fica o documento final e se há correções ou não", lamentou.
Nuno Serrano exemplificou com vários concursos públicos, que "grande parte deles volta para trás, ou porque estão mal fundamentados, ou porque estão mal orçamentados, ou porque têm problemas nos projetos".
"Não é uma coisa que aconteça de vez em quando. É uma coisa que acontece em todas as reuniões. Há uma falta de rigor nesta Câmara e quando falamos em valores demasiado elevados", reforçou.
O autarca exemplificou com a adjudicação de "um ajuste direto de 4,6 milhões de euros e a instrução estava toda errada".
"Havia dois cadernos de encargos, havia elementos de contratos a remeterem para cláusulas que não existiam" e "em determinados documentos a Câmara tinha de fazer pagamentos a 30 dias e noutros a 60 dias", afirmou, ao referir que ainda hoje os vereadores do PSD desconhecem qual o tempo de pagamento.
Dando outro exemplo, Nuno Serrano disse que na adjudicação da obra de recuperação do edifício dos Paços do Concelho, no valor de 1,2 milhões de euros, aprovada na última reunião de executivo, vinha informação relacionada com a obra de uma escola.
Afirmando que o PSD vai para as reuniões de Câmara "muito bem preparado", "muitas vezes mais preparado do que o próprio executivo", Nuno Serrano revelou que nas cerca de 30 reuniões realizados durante este ano, os vereadores sociais-democratas analisaram cerca de 22.500 páginas de documentos e apreciaram 1.150 propostas de deliberação. "Dessas votámos 80% a favor, 3,5% contra e o resto abstivemos-nos", notou.
Nuno Serrano criticou ainda que o PSD apresente propostas para o município, que são chumbadas em reunião de câmara, mas que depois apareçam com uma reformualação para votação por parte do PS.
A vereadora Luísa Gonçalves reforçou que os votos contra do PSD em muitos processos não são contra a realização das obras, mas "porque a instrução tem erros".
"A parte das obras corre mal, desde o inicio do caderno de encargos até à finalização. Os projetos de execução têm erros, há incompatibilidade entre as especialidades, os mapas de quantidades estão cheios de problemas, e isto depois vai-se repercutir em paragem da obra", observou a vereadora.
Para o vereador João Curado, a "Câmara perdeu a oportunidade de usar o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] para fazer várias coisas no concelho, entre os quais a habitação". "O PRR foi desaproveitado para fazer o que o concelho precisa."
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